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Mino Carta volta com artigo sobre a "ditabranda" da Folha

Da Redação

Após um mês de silêncio, a “ditabranda” da Folha de S. Paulo levou Mino Carta a reativar sua Olivetti e voltar a escrever. Em artigo publicado nesta quinta-feira (05/03) no site da Carta, sob o título “Da ditadura à democracia sem povo”, o jornalista fala sobre o neologismo do diário paulista e amplia a crítica para os “jornalões” que, em seus editoriais, “invocaram a intervenção militar contra a subversão em marcha”.

“Agora a Folha de S.Paulo ofende consciências ao criar um novo vocábulo: ditabranda. Poderia dizer ditamole, soaria melhor aos meus ouvidos. Não sei quais foram os argumentos do editorial, que não li a bem do meu fígado. (...) O que a mim surpreende e acabrunha não é um editorial da Folha. Aos meus ouvidos soa normal, corriqueiro, natural. Não difere, na essência, de outros editoriais dos jornalões. Quem sabe, seja mais sincero, ou menos hipócrita”, diz em seu artigo.

Não faltaram críticas aos outros veículos, até mesmo ao Estadão, que é reconhecido pela sua luta contra a ditadura: “Dos jornalões, a partir de então, só o Estadão foi censurado, com regalias, no entanto, que outros não tiveram. Podia preencher os espaços cortados pelas tesouras censoriais com versos de Camões e receitas de bolo”.

Na opinião de Mino, o jornalismo brasileiro serve à manutenção do status quo de uma “minoria exígua de privilegiados”.

“O jornalismo brasileiro, desde os começos, serve a este poder nascido na casa-grande, por ter a mesma, exata origem. A mídia nativa é rosto explícito do poder. As conveniências deste e daquela entrelaçam-se indissoluvelmente porque coincidem à perfeição”.

Para concluir, Mino fala sobre a relação da mídia, que “não alcança a ampla maioria dos brasileiros, a não ser por meio de novelas e domingões”, mas vende “à minoria as conveniências do poder, lá pelas tantas personificado pela ditadura e hoje por uma democracia oligárquica”.

“Ao cabo, pergunto aos meus perplexos botões: qual é a diferença entre ditabranda e democracia sem povo?”, questiona.




6/3/2009
 
Nei Duclós [09/03/2009 - 09:47]
(Freelancer)


"Democracia sem povo" ou "democracia oligárquica", termos usados por Mino Carta, são apelidos da atual ditadura, um regime legitimado pelo voto de cabresto (o voto útil), a manipulação milionária do marketing, as composições escusas, o engessamento político, a corrupção em todos os níveis, a vilanização de forças políticas alternativas e a padronização da mídia. Ao Brasil não “faltou uma guerra de independência”, como diz Mino, repetindo um lugar comum do imaginário construído à revelia das guerras brasileiras e a favor de uma imagem falsa de país manso e submisso. O historiador José Honório Rodrigues na sua obra “Independência: Revolução e Contra-Revolução”, destaca uma intensa luta com milhares de mortos nos estados da Bahia, Ceará , Maranhão e Piauí, entre 1821 e 1823. Essa luta, que acabou no dois de julho de 1823 em Salvador, é tratada como refrega regional. No entanto, se espalhou por vasta porção do território e foi decisiva para a libertação do país do jugo português.
 
 
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Marcia Paterman Brasil [09/03/2009 - 09:38]

Pior que o revisionismo histórico da Folha é a decisão de Otavio Frias de continuar a polêmica canalha, dizendo em texto aberto na edição de ontem que continua pensando o mesmo, chama Benevides, Camparato, Antonio Candido e tantos outros de ^democratas de fachada^, apontando neles a truculência que deveria ver somente em si e nos generais da ditadura, muito DURA. Não importam os números, o que importa é a ação do Estado, o que importa é cada vida perdida. Como disse a M. Benevides, agora vao querer chamar de ^doce^ a escravidao no Brasil. É vergonhoso o comportamento da linha editorial da Folha. Enojante. Só posso crer que seja a decisão de escolher pelo jornalismo sujo, a opção pelo polemicismo marrom.
 
 
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Edson Pereira Filho [09/03/2009 - 01:27]
(Freelancer)


Valeu Mino. Fico pensando se estudantes de jornalismo conhecessem a história de nosso país. Podia não mudar muita coisa, mas a indignação estaria em alta dentro das redações. Temos a geração da tela, que assisti a tudo sem capacidade de reflexão. Li a pouco, num jornal sobre cultura chamado Rascunho, que a solidão de um livro é o estado mais puro de cidadania.
 
 
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Gabrielle Cristiane Fulcherberguer [09/03/2009 - 12:54]
(Profissional Contratado)


Mino Carta, como sempre, excelente e coerente em suas explicitações. O leitor Edson questionou o conhecimento dos estudantes de jornalismo sobre a história do nosso país. Não basta só a estes estudantes o conhecimento de nossa história, mas a de todos o estudantes, ao menos aos estudantes, pequena parcela da população que tem acesso a educação, conhecer e dissisiminar a história deste país, como um aprendizado do que não se deve repetir. Por conta disso, o que se conclui é que o passado não é muito diferente do presente com sua uma política oligárquica "o poder de poucos e dos mesmos" disfarçado da democracia que serve aos seus interesses, a velha democracia neoliberal.
 
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Gabriel Adami Mariani [08/03/2009 - 00:25]
(Freelancer)


Perfeito como sempre, Mino Carta.
 
 
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Cláudio Neves [07/03/2009 - 22:44]
(JORNALISTA NÃO LOCALIZADO-ALICERAMOS.COM - RJ)


O Mino foi sensato nesse texto. A Folha por outro lado, como rosto explícito do poder (como se referiu Mino) produziu uma palavra que lhe acompanhará o nome para sempre, assim como "o levar vantagem em tudo", impregnou-se ao nome do Gérson.
Do dia 17/02 em diante, o termo "ditabranda" se associou ao nome da Folha de São Paulo de tal forma que passarão a ser sinônimos. No meu entender não estamos lutando contra outros jornalistas e sim contra uma idéia que pretendíamos abandonada, mas que a Folha de São Paulo a personificou da maneira mais vil e notória possível.
Pessoas, instituições e governos que de alguma forma, velada, ou explícita, coadunam com criminosos do passado ou do presente, precisam sim colher as conseqüências dessas escolhas.
 
 
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Wilson Moreira dos Santos [07/03/2009 - 21:55]

Daqui a pouco vai aparecer jornalistas(?) pequenos para criticar o Mino e defender a ditabranda Folha.
 
 
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Fábio José de Mello [08/03/2009 - 10:24]
(Profissional Contratado)


Pois é. Vão chamá-lo de "petralha", "esquerdopata"...
 
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Lauro Rocha [07/03/2009 - 21:46]
(Freelancer)


O texto todo é muito bom. Comprarei a Carta só para ter esse texto guardado.

 
 
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Tito Livio Caruso Bernardi [07/03/2009 - 18:39]
( Outros-Expresso da Notícia - SP)


Muito bom texto e, principalmente, oportuno. Analisem o papel desempenhado pela Folha de S. Paulo no caso da aposentadoria dos advogados inscritos na Carteira de Previdência do Ipesp, em São Paulo. Em quatro oportunidades, o jornal só diulgou o ponto de vista do Governo - mas não entrevisto o governador, que não quer aparecer em fatos "negativos". Tornou-se, assim, o "Diário Extra-Oficial de José Pedágio Serra".
 
 
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Jana de Paula [06/03/2009 - 23:33]
(Empresário de comunicação)


continuando...
Quem sabe não seria melhor se os jornalistas deixassem aos filósofos, psicólogos, linguistas etc. a tarefa de analisarem suas iniciativas ou silêncios impostos, comprados ou dados de graça? Quanto ao termo ditamole, cunhado pelo Carta, também me soa melhor. Ditabranda parece uma concessão, um exagero de refinamento. Me refiro ao termo.
 
 
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Jana de Paula [06/03/2009 - 23:32]
(Empresário de comunicação)


Quando os jornalistas falam de si mesmos, ou uns contra os outros, salpicam estilhaços de ego por todo lado. Não conheço, ainda não li, um artigo ou análise imparcial de um jornalista sobre outro. Quando eles são da mesma tribo, podem até se estranhar de vez em quando, mas não chegam às vias de fato (literárias, digo), porque há os laços mais profundos, mais antigos e isto nem sempre significa que um conhece os podres do outro. Muitas vezes houve uma mão estendida quando mais se precisava, por exemplo. Mas quando são de 'nações' divergentes há gerações (pois sabemos que há dinastias jornalísticas que perduram por décadas e décadas, com um decano passando o bastão para outro, de modo a não se perder aquele caminho e - muito menos - deixá-lo ser palmilhado por arrivistas). Como eu dizia, quando uma tribo rival joga a eme... tem logo outro segurando o ventilador para espalhá-la o máximo possível.
 
 
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Luiz Fernando de Siqueira [06/03/2009 - 21:33]
(Estudante)


Texto magnifíco!
 
 
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