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Entrevista com PVC: "Se ser tímido era um problema, eu tinha de superá-lo"

Da Redação

O Na Mira entrevistou Paulo Vinicius Coelho, o homem considerado uma “Enciclopédia Humana”, que é um dos jornalistas esportivos mais respeitado e renomado do Brasil. Apaixonado por futebol, superou a timidez, e hoje é exemplo de profissional bem sucedido para todos.

Paulo Vinicius de Mello Coelho, mais conhecido como PVC, nasceu no dia 30 de agosto de 1969 em São Paulo. Formou-se em jornalismo em 1990, pela Universidade Metodista de São Bernardo do Campo.

Começou a carreira como repórter do Diário do Grande ABC, e acumulou passagens pala Editora Abril, revista Ação e revista Placar. Atualmente escreve para Folha de S. Paulo e, desde 2000, é comentarista e chefe de Reportagem da ESPN Brasil. O profissional ainda cobriu as Copas do Mundo de 1994, 1998 e 2006.

PVC é um grande analista tático e destaca-se pela sua incrível memória (vez por outra, nos programas, consegue listar a escalação de times antigos, o placar do jogo e quem fez os gols, quem foi expulso etc.). Por suas qualidades é, sem dúvida, um dos jornalistas esportivos mais conceituados e populares do país.

O jornalista diz que só revela o seu time quando é realmente necessário, isto é, quando lhe perguntam. Ele é palmeirense.

Ganhou os prêmios Abril de 1993, 1995 e 1997, pela melhor matéria de esportes da editora. Em 2008, ganhou o Prêmio Comunique-se na Categoria Jornalista de Esportes – Midia Impressa.
 
Essa sua grande memória é natural? Como você se organiza para continuar sendo uma enciclopédia humana?
Não é memória, é trabalho. Mas vale a explicação. Não há nada como a memória do garoto de 10 anos. Eu nunca precisei olhar em livro nenhum para saber a escalação do Guarani, campeão brasileiro de 1978. Eu tinha 9 anos, grudou na minha cabeça, nunca mais saiu. O São Paulo campeão brasileiro de 2008 eu sei: Rogério, André Dias, Rodrigo e Miranda; Joílson, Hernanes, Jean (Richarlyson na final), Hugo e Jorge Wágner; Dagoberto e Borges. Sei porque, ao final do torneio, parei, me organizei e resolvi lembrar. Esse exercício é memória, porque se não contar com ela a informação some. Mas é trabalho, também. Quando você tem 9 anos e é louco por futebol, sua vida é falar, pensar, lembrar coisas de futebol. Quando tem 39, tem de lembrar de pagar a escola do filho, a prestação do apartamento... Aí, a informação some da sua memória e muita gente põe a culpa no futebol. "Ah, não é mais igual ao futebol do passado." Pode ser. Mas, além disso, uma outra coisa mudou: você. Você não é igual a quando tinha 9 anos.
 
Quando você percebeu que queria ser jornalista?
Percebi é uma boa palavra. Eu percebi, quando tinha 14 anos. Era um garoto tímido e ouvia que, como jornalista, não ia ganhar dinheiro. Por isso, só decidi aos 17 anos. Decidi que preferia trabalhar 7 dias por semana sendo feliz a trabalhar 5 dias para ser feliz em apenas dois. No fim de semana.
 
Você teve problema com a timidez no inicio da carreira? O que fez para perder e solucionar esse problema?
Quando eu decidi virar jornalista, decidi que tinha de superar o problema. Se ser tímido era um problema, eu tinha de superá-lo. Não significa que eu resolvi completamente o problema. Eu nunca fui um cara atirado com garotas, por exemplo. Mas se era preciso fazer uma entrevista, eu tinha de perguntar o que era preciso saber. A necessidade me fez superar o problema.
 
Como surgiu sua paixão pelo futebol?
Eu fui a meu primeiro jogo aos 5 anos. Fui levado por meu avô, luso, a um Portuguesa 2 x 1 Juventus, dia 29 de março de 1975. Como fiquei maluco por futebol, passei a gostar de ler sobre futebol também.
 
Qual o maior time e melhor treinador que você já viu?
Eu nasci em 1969. O melhor time que vi jogar na minha vida foi o Flamengo, de 1981. Essa resposta tem sempre algum componente emocional, mas a resposta é: Flamengo. O melhor técnico foi Telê Santana.
 
Qual foi a matéria ou a situação mais engraçada que você já passou?
Ah, tem tanta coisa... Como curiosidade, lembro da minha primeira viagem internacional. Fui à África, fazer matéria para a revista Placar sobre o futebol no continente. Passei 16 dias por lá em 1993. Minha mala não chegou. Fiquei 15 dias na África sem encontrar a mala e as roupas. Encontrei-as intactas 15 dias depois de voltar ao Brasil.
 
O que você gosta de fazer nas horas vagas?
Hoje em dia, o que eu faço nas horas vagas é ficar com meus filhos, ir ao clube, ir ao cinema. Mas gosto também de... ver futebol!
 
Qual é a dica que você dá para quem está iniciando no jornalismo?
Não tem outra dica. A única é: trabalhar, trabalhar, trabalhar. A questão é nunca esquecer que você, como jornalista, nunca vai ser notícia. Por isso, nunca esquecer de apurar.

O projeto Na Mira é uma iniciativa dos estudantes de Comunicação Social que trabalham da Unidade de Pesquisa e Atualização (UPA), responsável pela atualização da base de dados do Comunique-se. Mensalmente, a equipe do Na Mira entrevista um jornalista. Participaram desta edição os estudantes Rafael Menezes, Carolina Monte, Robério Moura, Juliane Souza, Laercio Vieira e Priscila Reis. A coordenação do projeto é da gestora da UPA, Priscila Daud.




12/6/2009
 
Carlos Alberto Ribeiro Gonçalves [15/06/2009 - 22:24]
(Freelancer)


Pela Teoria de Jonas, "O Sábio", quem nunca cozinhou na vida não pode avaliar se um prato está ou não bem feito. Se o PVC nunca jogou e comenta desse jeito simplesmente maravilhoso, é porque, com certeza, ele conhece muito mais de futebol que um bando de "bundões" que adoram ser chamados de "professor", por um outro bando de asnos, ou seja, a grande maioria dos jogadores de futebol que possuem, quanto muito, um só neurônio. PVC, você é a redenção do jornalismo esportuvo, em meio a tantos incompetentes e salafrários...Da gosto vê-lo e ouvi-lo. Parabéns e siga em frente...Nós, amantes do futebol, precisamos muito de pessoas como você.
 
 
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André Augusto da Silva [15/06/2009 - 13:19]
(Freelancer)


Com certeza, o jornalista mais completo da atualidade no esportivo. Além da grande capacidade de análises e memória apurada, não é de "aparecer". Faz tudo de forma simples e didática, o "arroz com feijão".

 
 
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Paulo Rogério Lencioni [15/06/2009 - 12:09]
(Radialista-Leitor Recortes - RJ)


Parabéns pela excelente entrevista com PVC.Toda semana encontro com ele aqui,no Bar do Cabral,em frente ao Palmeiras e ele sempre atencioso e educado.Não tem estrelismo nenhum e é um baita profissional.Parabéns PVC...
 
 
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Paulo César Cabral [14/06/2009 - 11:18]

Esse blog contém um aúdio de entrevista realizada com Maurop Betting. Eu recomendo. Comentem:

www.esporteemnoticia.wordpress.com

A entrevista com o PVC foi boa também.
 
 
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Leonni Barbosa Pissurno [13/06/2009 - 15:44]
(Estudante)


O PVC é um grande profissional. Admiro o seu trabalho e me espelho para ser um dia também um jornalista esportivo. Adoro futebol e não vejo trabalhando em outra coisa.
 
 
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Alexandre Aquino [13/06/2009 - 14:05]
(Freelancer)


Eu tenho acompanhado mais o trabalho do PVC pela ESPN. A memória dele é fantástica mesmo. E o fato dele ser tímido, creio que nunca o atrapalhou. Claro que existe jornalista tímido. Esse Milton Neves é um banana mesmo!
 
 
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Moacyr Victor Minerbo [13/06/2009 - 12:32]
(Âncora / Apresentador TV / Apresentador Rádio-ALLTV - IG - SP)


Admiro o PVC. Porém, sua grande qualidade é a análise de jogo em tepo real. Poucos fazem co detalhamento e precisão. No mais a decoreba e guias ajudam. Eu jáo vi andando na rua lendo o guia da Placar. Abraços! Moacyr, programa OLÉ: www.alltv.com.br,a 1ªTV da internet.
 
 
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Jonas S. Marcondes [13/06/2009 - 11:44]

A única deficiência de PVC é que ele nunca jogou bola, nem na várzea. É muito dificil avaliar uma jogada ou características de cada jogador, quando não se chutou uma falta ou bateu um escanyeio.
 
 
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Gustavo Bezerra da Silva [12/06/2009 - 22:02]
(Estudante)


Boa noite!
Conheci o PVC ano passado em uma das palestras do Comunique-se, ele realmente é o que é porque trabalhou muito pra isto!
A mesma simplicidade e humildade que ele demonstra no video ele é pessoalmente.
Abraço!
 
 
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Luiz Guilherme Melo de Souza [12/06/2009 - 20:26]
(Estudante)


Admiro muito o PVC como profissional e gostei muito do que ele disse, principalmente quando ele derrubou um velho mito: o de que não existe jornalista tímido. Eu conheço muitos estudantes de Jornalismo tímidos e, usando como exemplo o próprio PVC, não significa que eles não se destacarão no jornalismo.
 
 
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Moacyr Victor Minerbo [13/06/2009 - 12:35]
(Âncora / Apresentador TV / Apresentador Rádio-ALLTV - IG - SP)


Pois é. Quando eu tinha 19 anos o SABIXÃO MILTON NEVES olhou na minha carae disse: NÃO EXISTE JORNALISTA TÍIDO GARRROTO. Ferrou-se!
 
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