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Resposta a Eliakim

Ali Kamel (*)

Foi com desalento que li o artigo de Eliakim Araújo, “A Globo se rende a Brizola”, publicado no Comunique-se. Não esperava isso de um profissional como Eliakim, a quem admiro. Mas cada vez mais estou convencido de que a memória é importante fonte da pesquisa histórica, mas, desacompanhada de uma pesquisa em documentos, fica sujeita a todo tipo de falhas. Vou começar meus comentários pelo fim:

1) Ao que parece, Eliakim achou longa a cobertura que o Jornal Nacional dedicou à morte de Leonel Brizola. Eu discordo. Todos nós recebemos do diretor da Central Globo de Jornalismo, Carlos Henrique Schroder, uma única orientação: dar à cobertura o tempo condizente com um personagem que protagonizou a história do Brasil nos últimos 60 anos. Foi o que fizemos. O Jornal Nacional daquele dia não significou, portanto, rendição alguma a Brizola, porque o noticiário não se confunde com a opinião. O que fizemos ali foi descrever a trajetória de Brizola, divulgar os depoimentos de políticos de todas as tendências e as homenagens que o povo prestou a ele. Não nos furtamos, porém, de registrar os pontos mais polêmicos da carreira dele, como o apoio à prorrogação do mandato de Figueiredo e as críticas que fez à CPI do Collor. Também dissemos que seus críticos o acusavam de ser populista e demagogo, e relatamos a resposta que Brizola costumava dar a eles. Destacamos também suas realizações: escolas no Sul, Cieps, Linha Vermelha e Passarela do Samba no Rio de Janeiro. Fizemos jornalismo, apenas isso. Quanto à presença de um membro da família Marinho no enterro de Brizola, nada há de surpreendente: é assim que os homens de bem agem. Lembro que Brizola também fez questão de prestar sua solidariedade à família Marinho quando da morte de Roberto Marinho, no ano passado. E eu ouso dizer que Roberto Marinho teria feito o mesmo em relação a Brizola, se vivo fosse. No enterro de Roberto Marinho, Brizola disse: “Roberto Marinho foi um adversário cortês. É do confronto de idéias que surge a verdade. Embora existissem grandes diferenças entre nós, ele nunca me negou espaço”.

2) Eliakim diz que a TV Globo deu de presente a Collor um Globo Repórter “inteiramente dedicado a ele e à sua implacável caçada aos marajás”. É mais uma das confusões que a confiança excessiva na memória acarreta. Nunca houve um único Globo Repórter dedicado a Collor, antes de sua eleição. Em abril de 1987, houve um Globo Repórter de uma hora de duração sobre funcionalismo público, registrando os problemas em diversos estados do país (São Paulo, Maranhão, Rio Grande do Sul, Ceará. Minas, Rondônia, Brasília ) e, nele, havia apenas seis minutos e meio retratando a situação de Alagoas (dois minutos e vinte segundos foram tomados por uma entrevista de Collor). Ou seja, num programa de uma hora, apenas dois minutos e vinte segundos foram dedicados ao então governador. Naquele mesmo mês, a revista Veja dedicou suas páginas amarelas inteiramente a Collor. O título das amarelas era: “Vou acabar com os marajás”. O subtítulo: “O governador de Alagoas fala de sua vitória contra os funcionários milionários e promete manter sua cruzada moralizadora”. A Veja agiu bem. Collor era assunto naquele mês. Collor foi assunto de destaque em todos os jornais do país.

3) Em 12 de agosto de 1987, a mesma revista Veja dedicou a capa ao assunto. Ladeando a foto de um ator vestido como um marajá, estava o título: “Funcionalismo Público: a praga dos Marajás”. Sete páginas internas foram dedicadas ao assunto. Logo no primeiro parágrafo, a declaração de Collor: “Esse caso já se transformou numa tragédia nacional”. Um mês depois da edição de Veja, em 10 de setembro de 1987, o Globo Repórter fez uma edição sobre os marajás. Mas o foco era São Paulo: o programa inteiro tinha vinte minutos e vinte e três segundos, praticamente todos voltados para São Paulo; a situação em Alagoas foi retratada em três minutos, sendo um minuto e vinte segundos ocupados com uma entrevista de Collor. Foi o último Globo Repórter dedicado ao tema marajás/funcionalismo público.

4) A revista Veja voltaria ao tema. Em 23 de março de 1988, dedicou a capa a Collor. O título era: “Collor, o caçador de marajás”. Dentro, seis páginas sobre o assunto. O título era: “A guerra ao turbante”. O subtítulo: “No seu papel de caçador de marajás, o alagoano Fernando Collor de Mello torna-se um dos governadores mais populares do país”. Era a pura verdade. Se algum veículo usou o epíteto de “Caçador de marajás” para se referir a Collor, o primeiro foi a revista Veja. A Globo jamais batizou algum Globo Repórter com esse nome. E fez, sobre o assunto marajás, apenas os dois programas descritos acima. Aqui, ressalte-se, não vai nenhuma crítica à revista Veja, cuja reportagem de capa aqui mencionada era de altíssima qualidade jornalística, como de hábito. Não participei dessa reportagem, mas, à época, trabalhava na revista, na sucursal do Rio. Em resumo, foram apenas dois programas do Globo Repórter dedicados ao funcionalismo, nenhum deles dedicado a Collor. Os dois em 1987. Em 1988, nenhum Globo Repórter sobre funcionalismo ou sobre Collor. E, em 89, apenas um, realizado após a eleição, em dezembro, como se faz com todos os presidentes eleitos. Como fica agora provado, Eliakim Araújo equivocou-se, confiando apenas na memória.

5) O mais grave do artigo diz respeito ao caso da Proconsult. Eliakim diz que “pesava sobre a emissora a acusação de, junto com a Proconsult, empresa contratada pelo TRE para apurar os votos da eleição direta para governador do Estado, em 1982, tentar fraudar o resultado para dar a vitória a Moreira Franco, o candidato do regime militar, apoiado pela família Marinho”. Não fica claro se Eliakim registra apenas uma infâmia que volta e meia aparece contra as Organizações Globo ou se concorda com ela. De qualquer maneira, é bom esclarecer o episódio. Abaixo, reproduzo parte do conteúdo de uma carta que mandei hoje a outro website.

6) A TV Globo e O Globo jamais contrataram os serviços da Proconsult. Desde o dia da eleição, até o fim da apuração, O Globo deu manchetes atribuindo a vitória a Leonel Brizola. Jamais disse em manchete ou em título interno que Moreira Franco ganharia a eleição. A TV Globo previu a vitória de Brizola já no dia da eleição, com a divulgação da pesquisa de Boca de Urna do Ibope dando a vitória de Brizola por cinco pontos percentuais. Esta é a única verdade. Nos dias subseqüentes, divulgou os resultados oficiais do TRE e os da apuração paralela do Globo, que apresentava números defasados em relação à apuração paralela da Rádio Jornal do Brasil. Mas, já no dia 18 de novembro, divulgava projeções que davam a vitória a Brizola.

7) Em 1982, a eleição ainda era em cédulas, mas, pela primeira vez, a totalização dos votos seria informatizada. Seis estados, entre os quais São Paulo e Minas, contrataram o Serpro, uma estatal, para fazer o trabalho. O TRE do Rio de Janeiro foi o único a contratar uma empresa privada, a Proconsult. Ela trabalhou exclusivamente para o Tribunal.

8) Naquele ano, a TV Globo sequer possuía computador, aqueles gigantes que chamávamos de “mainframe”. Como a eleição era nacional, era operacionalmente impossível montar um esquema próprio de apuração em todos os estados. Optou-se então pelo estabelecimento de parcerias com os jornais impressos. No Rio de Janeiro, o parceiro foi O Globo; em São Paulo, o Estado de S. Paulo.

9) O Globo desenvolveu um sistema próprio, sem qualquer vinculação com a Proconsult. Estagiários foram contratados para, durante a apuração, trabalhar nas zonas eleitorais de todo o estado. As mesas apuradoras, depois de contar os votos, registravam tudo em boletins, que eram depois afixados em lugar visível. A tarefa dos estagiários do Globo era copiar todos os dados dos boletins: os votos para todos os candidatos a vereador, deputado estadual, deputado federal, senador e governador. Os dados eram enviados por carro ou moto para a sede do jornal, onde eram digitados para alimentar os computadores. Montou-se uma central com quatro computadores, 64 terminais e 380 digitadores. Era um trabalho hercúleo, já que os votos dos milhares de candidatos tinham de ser digitados um a um. Como era um jornal impresso, O Globo se interessava em publicar a relação dos votos dados a cada candidato. Faz isso até hoje. Isso atrai leitura, pois todos querem saber como anda o candidato em que votaram.

10) O esquema foi montado, no entanto, para ser eficaz para um jornal impresso, cujo fechamento, à época, se dava às onze da noite. Durante a rodada, faziam-se duas ou três atualizações. Para isso, bastava que houvesse uma única totalização por dia. Os computadores eram alimentados e o programa rodava perto do fechamento. Estávamos ainda na pré-história da informática. Esse esquema revelou-se de pouca valia para a TV Globo, pois ela só tinha informação fresca uma vez ao dia, e bem tarde. O esquema poderia funcionar para um jornal impresso, mas estaria fadado a dar errado para uma emissora de televisão.

11) A Rádio Jornal do Brasil, montou esquema mais modesto e, por isso, mais ágil. Reuniu também estagiários (eu era um deles) e os mandou também para as zonas eleitorais. Com um detalhe: em vez de anotar os votos em cada candidato a vereador, em cada candidato a deputado estadual, em cada candidato a deputado federal, em cada candidato a senador e em cada candidato a governador, de cada partido, o estagiário se concentrava apenas nos votos dados aos candidatos a senador e governador. E repassava os dados por telefone público. A cada estagiário foi dado um saco de fichas telefônicas (para os mais novos: eram como moedas, não havia cartões como hoje). Como se tratava de uma rádio “all news”, tinha-se a necessidade de dados o tempo todo. Para isso, foi montado um esquema que permitia totalizações freqüentes.

12) No dia 16 de novembro de 1982, um dia depois da eleição, e já com os votos sendo contados, a manchete de primeira página do Globo era: “Ibope aponta vitória de Brizola”. No texto, está dito: “A última pesquisa do Ibope antes das eleições, divulgada ontem, prevê a vitória do candidato do PDT, Leonel Brizola, com 31,3% dos votos. Moreira Franco, do PDS, obteve o segundo lugar, com 26,8%; Miro Teixeira, do PMDB, 14,1%; Sandra Cavalcanti, do PTB, 8,9% e Lysâneas Maciel, do PT, 3%”. No dia 17 de novembro, a manchete de primeira página do jornal era: “Brizola lidera no Rio e na Baixada”. No dia 19: “Acelera-se a apuração na capital: Brizola mais perto de Moreira”. No dia 20: “Brizola avança no Rio; interior quase no fim”. Está tudo nos arquivos do Globo, mas, para os mais paranóicos, nos da Biblioteca Nacional também.

13) A TV Globo não agiu diferente. No dia 15 de novembro, no momento em que a legislação eleitoral permitia a divulgação das pesquisas de boca de urna, Carlos Monforte anunciou em rede nacional: “Para o Rio de Janeiro, a pesquisa IBOPE dá exatamente a vitória para o PDT de Leonel Brizola com a margem de 5% de diferença do 2º colocado, o candidato do PDS Wellington Moreira Franco”. Aparecia, então, uma arte, com a foto dos candidatos, com Monforte narrando em off: “No Rio, a pesquisa IBOPE dá a vitória a Leonel Brizola do PDT com 31,3% dos votos; em segundo lugar, Moreira Franco,do PDS, com 26,8%.  Indecisos no Rio de Janeiro eram 9,7%”. No Jornal Nacional do dia 16, Sérgio Chapelin deu os primeiros resultados, com Brizola momentaneamente na frente: “A apuração oficial no Rio foi muito lenta hoje. Várias cidades no interior do estado só começaram a contar os votos à tarde. As primeiras urnas demoraram até quatro horas para serem apuradas. Até o momento, está na frente o candidato do PDT, Leonel Brizola. Em segundo, está o candidato do PDS, Moreira Franco. E, em terceiro, o candidato do PMDB, Miro Teixeira. Brizola está vencendo a eleição em Nova Iguaçu e São João de Meriti. Moreira Franco tem ligeira vantagem nas outras cidades do interior, em Niterói e em São Gonçalo”.

14) Com manchetes como aquelas, que contribuição à fraude poderiam ter dado as Organizações Globo?

15) No dia 17 de novembro, já era patente que algo ia errado com a apuração dos votos. O ritmo era lento, os votos contados eram em sua maioria do interior e Moreira Franco aparecia, na contagem oficial, à frente de Brizola. Apesar disso, devido às projeções, as manchetes do Globo, baseadas em projeções, continuavam a apontar a vitória de Brizola. A Globo não tinha outros números a divulgar senão os do TRE e os do Globo, que davam Moreira na frente, porque as urnas do interior, onde Brizola tinha menos votos, eram contadas mais rapidamente. No terceiro dia da apuração, no dia 18 de novembro, Leonel Brizola convocou a imprensa internacional para uma entrevista. Em vez de responder aos repórteres, bem ao seu estilo Brizola começou a entrevista fazendo uma pergunta: “Os senhores não acham estranho que no terceiro dia de apuração só haja 200 urnas apuradas”? Depois, Brizola se disse “apreensivo, preocupado e angustiado em relação à possibilidade de fraude na apuração”. E afirmou: “Só a fraude ameaça a nossa vitória”. E criticou o trabalho das Organizações Globo, dizendo que ao divulgar números diferentes de outros veículos de comunicação, ajudava a criar um ambiente favorável à fraude: “Notamos uma angústia muito grande devido a dados que se contradizem com os resultados oferecidos por outros meios de divulgação. E isso vem gerando um ambiente de muita confusão”. Aqueles, no entanto, eram os únicos números que a TV Globo tinha e, já desde daquele dia, passou a divulgar projeções dando a vitória de Brizola. O Jornal Nacional daquele dia divulgou a entrevista de Brizola aos correspondentes estrangeiros.

16) No mesmo dia, ao tomar conhecimento das críticas de Brizola, Armando Nogueira, então diretor da Central Globo de Jornalismo, convidou-o para uma entrevista no programa diário “Show das eleições”, que ia ao ar às dez e meia da noite. Brizola exigiu que a entrevista fosse ao vivo e que tivesse no mínimo vinte minutos, o que foi aceito prontamente, porque era, desde o início, a idéia de Armando. A entrevista acabou tendo meia hora e, com ela, Brizola amplificou para todo o Brasil, em horário nobre, suas suspeitas de fraude. Foi na Globo, por iniciativa dela e graças à sua enorme audiência, que o país tomou conhecimento das suspeitas do candidato. Na entrevista, Brizola voltou a se queixar do fato de que a TV Globo divulgava resultados defasados, mas, em momento algum, acusou a Globo de estar por trás de uma trama para fraudar as eleições. Em dado momento, Armando Nogueira perguntou: “Estamos acompanhando aqui a sua entrevista, com natural interesse, e a certa altura pareceu que o senhor ficou preocupado, em dado momento da apuração, com a correção do trabalho dos profissionais da Rede Globo, entre os quais eu figuro, humildemente, mas com muito orgulho. E eu perguntaria ao senhor, governador, se é justo que profissionais com um passado, alguns com um futuro, quase todos com um futuro, devam merecer, numa hora de paixão, um tratamento tão rigoroso da parte de um homem público, por parte de quem a gente tem um apreço. Eu gostaria de fazer esta pergunta, que ela é quase pessoal. O senhor me desculpe introduzir uma pergunta pessoal, mas em nome de cerca de dois mil jornalistas... E eu me sinto no dever de fazer essa pergunta ao senhor”. Brizola respondeu: “Perfeito. Com muito carinho, com muito prazer, Armando. Sabe que eu dou essa resposta com aquela franqueza que me caracteriza não é verdade? E nós devemos sempre usar esse método da franqueza, da lealdade. Eu registrei o que era real. Eu não cheguei a entrar no mérito. Eu não cheguei, de forma nenhuma, a considerar que tivesse havido má fé. Não cheguei, absolutamente. Eu registrei uma situação real existente aqui no Rio de Janeiro e também os meus próprios sentimentos. Porque eu senti o nosso Rio, no conjunto, desmerecido. Chegava a ser anunciado: "Olha, logo em seguida, vem o Rio de Janeiro!" E depois vinha o Acre, vinha Rondônia, e nada. Então, eu registrei isto: é que faltava essa informação.[Brizola referia-se à escassez de dados sobre o Rio, já que as apurações do T.R.E eram lentas e a totalização do Globo acontecia apenas uma vez por dia.]  Agora, pode ser que tenha entupido... os canais tenham se entupido aí. Havia dificuldades... Porque numa organização grande é assim, às vezes o gigantismo‚ uma doença das organizações. Isto pode acontecer, isto pode ocorrer. Isto sem desmerecer os profissionais, não é verdade”?

17) Brizola estava sendo irônico, mas o diagnóstico dele era preciso: os canais se entupiram. A TV Globo divulgava os números do jornal O Globo, que, como já disse, fazia uma coleta completa, registrando o voto dado a cada candidato, de vereador a governador. Cada mapa preenchido pelos estagiários tinha cerca de mil números (é preciso ter me conta que se registrava o voto em cada candidato a todos os cargos eletivos de todos os partidos). O processo era longo, demorado. O estagiário da Rádio Jornal do Brasil coletava uma quantidade muito menor de números: os votos para os cinco candidatos ao governo do estado e ao senado. Era muito mais ágil e eficiente. No interior, o enorme trabalho das equipes do Globo foi facilitado pelos juízes eleitorais, que permitiam que se fizessem cópias xerox dos mapas para que os números pudessem ser mais facilmente copiados nas planilhas. Na capital, dado o clima de paixão, os juízes só autorizavam que os mapas fossem copiados onde estavam, pendurados nas paredes, sem a possibilidade de se obter uma cópia. Para o estagiário do Globo, o trabalho era insano. O resultado foi ineficiência e atraso. Daí porque os votos do interior saíam com mais rapidez.

18) No dia 24 de novembro, o Senador Saturnino Braga, da tribuna do Senado, fez um discurso acusando a Proconsult de tentar fraudar as eleições, com o apoio das Organizações Globo. Foi a primeira e única vez que um ataque infamante como aquele fora feito de maneira direta, sem a apresentação de provas e quando a vitória de Brizola já era dada como certa.

19) No dia seguinte, Iran Frejat, que era o responsável pelos trabalhos de apuração do Globo, tendo sido o responsável pelo modelo de cobertura e pela central de computadores do jornal, escreveu uma carta aberta a Saturnino, rebatendo as acusações. O jornalista, que era irmão de José Frejat, candidato a deputado pelo partido de Brizola, apresentou-se como eleitor de Saturnino e Brizola e rechaçou, de modo apaixonado, todas as acusações.

20) No dia 27 de novembro, o Jornal do Brasil denunciou que, juntamente com a Rádio Jornal do Brasil, havia sofrido pressões da Proconsult, por meio de seu vice-presidente, Arcádio Vieira, para mudar os resultados que vinha divulgando. O JB informou que recusara oferta de Arcádio para que usasse os números da Proconsult e que demitira seu gerente de Métodos e Sistemas, Tadeu Lanes, que se mostrara receptivo aos argumentos do executivo da Proconsult. Basta consultar os arquivos dos jornais da época.

21) O TRE, no mesmo dia, pediu abertura de inquérito na Polícia Federal e aprovou a realização de uma auditoria técnica na Proconsult. Dois dias depois, a divulgação de boletins do TRE sobre as eleições no Rio foi suspensa.

22) Em quatro de dezembro, a auditoria do Serpro entregou o seu relatório ao T.R.E., apontando inúmeros erros de procedimento da Proconsult e mostrando que a totalização de votos tinha sido mal planejada. Naquele dia, o T.R.E. não divulgou o relatório do Serpro, limitando-se a divulgar nota considerando a Proconsult apta a retomar os trabalhos de totalização, depois das medidas corretivas sugeridas pelo Serpro.

23) No dia 13 de dezembro, o TRE divulgou o resultado final das eleições no Rio: Leonel Brizola venceu com 1.709.264 votos (34,2%) contra 1.530.728 (30,6%) de Moreira Franco.

24) No dia 16 de dezembro, o Serpro divulgou o relatório entregue ao T.R.E. onze dias antes. A leitura do relatório deixa claro que a auditoria apontou erros de procedimento, fez uma série de recomendações e, ao fim, concluiu: “É de se admitir que, se forem mantidas as condições de trabalho hoje observadas, isso é, for assegurado o mesmo grau de confiabilidade dos programas ora verificado, for mantida a integridade dos arquivos e consistência dos dados, e forem adotadas as recomendações acima, os serviços de totalização das eleições de 15 de novembro de 1982 no Estado do Rio de Janeiro poderão ser levados a bom termo. Este é o nosso parecer”.

25) No mesmo dia, o promotor Celso Fernando de Barros requisitou ao T.R.E. nova perícia na Proconsult para determinar por que a Proconsult errara tanto. O tribunal, por unanimidade, recusou o pedido. Na ocasião, o desembargador Jalmir Gonçalves da Fonte, coordenador da comissão de apuração, declarou: “Nada disso evidencia que os erros foram intencionais. Foram erros humanos atribuídos ao açodamento dos serviços e à exaustão das pessoas, a ponto de ser necessário afastar os técnicos, não por suspeita, mas por entender que já estavam cansados. Foram todos erros naturais, erros humanos e que já tinham sido corrigidos quando começou a auditoria”.

26) No dia sete de janeiro de 1983, a Polícia Federal divulgou suas conclusões sobre o inquérito da Proconsult. No relatório, está dito que “a Proconsult não praticou fraudes na computação dos votos”, cometendo apenas “pequenas falhas”.

27) Se a Proconsult é inocente ou não, infelizmente ninguém pode dizer com certeza. Eu desconfio que os indícios apontem para a tentativa de fraude. Afirmar, porém, que as Organizações Globo “tentaram fraudar as eleições” é infâmia, calúnia e difamação. Se o esquema de totalização de votos do Globo se mostrou ineficiente, as manchetes do jornal dando a vitória a Brizola e o acolhimento irrestrito e imediato, pela Globo, em horário nobre, das denúncias de Brizola foram um antídoto contra a fraude. Tudo o que aqui expus está documentado. Tenho os recortes de jornais, as fitas de vídeo. Não escrevo nada de memória, porque a memória é sempre sujeita a falhas.

28) Eram esses os esclarecimentos que tinha a fazer. Longos, mas necessários.

(*) Diretor-executivo de jornalismo da TV Globo.

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25/6/2004
 
Iracema Torquato [30/06/2004 - 16:32]

Paolo, a recíproca é verdadeira. Um abraço.
 
 
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Paulo Cesar Lima [29/06/2004 - 21:32]
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Iracema : Não há o que agradecer. Me sinto honrado por ter merecido um comentário seu que, como todos com que nos brinda aquí no Comunique-se, foi absolutamente pertinente. Um abraço. Sou seu fã.
 
 
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Iracema Torquato [29/06/2004 - 08:44]

Paolo, muito obrigada pela atenção, pela explicação. Respeito o seu ponto de vista, como também o dos demais usuários desse site, que - segundo fui informada - é um espaço predominantemente de jornalistas, mas aberto, democraticamente, a profissionais de outras categorias (comunicólogos) e/ou outros (como: professores/pesquisadores/estudantes/publicitários etc.) que queiram participar dos debates, razão da minha presença aqui.
 
 
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Paulo Cesar Lima [29/06/2004 - 01:18]
(Freelancer)


Iracema : Quando utilizo a expressão "denuncismo abstrato", estou apenas conclamando aos citados "ex", enquanto jornalistas, num site de jornalistas, a dar nome aos bois. Pelo que lembro, à época focada pela discussão, o jornalista responsável pela Equipe Globo de TV Jornal ( incluindo o Jornal Nacional) era o Armando Nogueira - em momento algum citado, questionado ou responsabilizado - a edição dos noticiosos ficava a cargo do Edson Ribeiro - em momento algum citado, questionado ou responsabilizado. Como já disse em outras oportunidades, não tenho procuração das Organizações Globo para defende-la; Respeito e defendo, intransigentemente, outrossim, a liberdade irrestrita de opiniões; Tratando-se porém de denúncias, faço questão de provas - materiais e/ou testemunhais - mesmo que o alvo seja a Globo.
 
 
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Léo Bueno [28/06/2004 - 16:56]
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Sobre o texto inteirinho há uma resposta bem a propósito escrita pelo próprio Eliakim. Sobre o item 2 do artigo acima, eu faço uma pergunta: O QUÊ? Vai me dizer que a Globo NÃO apoiou o Collor?
 
 
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Iracema Torquato [28/06/2004 - 16:50]

Paolo, com todo respeito que tenho pela sua pessoa, seus comentários sempre foram bem argumentados (quer concordemos ou não com eles), mas discordo quanto ao uso dos termos "denuncismo abstrato". Os fatos aconteceram, estão aí, para serem melhor pesquisados e elucidados (principalmente pelos jornalistas, quer tenham saído dessa ou daquela organização com sentimentos gentis e/ou"rancorosos",ou não).Como leitora/pesquisadora a mim, isso pouco importa.Mas talvez vc (ou outro colega usuário do C-se) possa explicar-me melhor o que significa jornalisticamente essa expressão. Concordo plenamente com Talis, afinal: "Kamel escreveu uma 'longa' defesa e esqueceu o principal- A Globo era contra o cidadão Brizola ou contra o ideário político que ele representava?". Ou ambos?! De pequenas em pequenas falhas, chegamos à crise de credibilidade na imprensa, e isso não favorece a ninguém. Podemos atribuir esse fato apenas ao que alguns autores chamam de pensamento pós-moderno?
 
 
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Paulo Cesar Lima [28/06/2004 - 14:37]
(Freelancer)


Eliakin, Paulo Henrique e outros "ex" menos votados, certamente estão sendo vítima daquele mal que frequentemente os fazem lembrar "que eram felizes e não sabiam"... Afinal, como partícipes importantes, por largo período, da equipe da Organização que hoje criticam e denunciam, certamente puderam vivenciar ou serem forçados a contribuir para algum fato escuso, cujo testemunho confissional poderia condena-la inapelavelmente. Se não o fazem e utilizam-se de um denuncismo abstrato, demonstram apenas um rancor malidicente dos que perderam o lugar na lider de audiência. Aliás, seria ético que ambos dissessem como e por que deixaram as Organizações Globo.
 
 
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Talis Andrade [28/06/2004 - 02:34]

Bem argumentado professora Iracema Torquato.
Pelo escrito de Kamel fica implícito que tudo pode acontecer em uma campanha eleitoral:
manipulação do noticiário , das pesquisas e "pequenas falhas" nos computadores.
 
 
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Iracema Torquato [28/06/2004 - 01:01]

Em tempo: meu comentário se refere à estrutura apresentada nesse texto "Resposta a Eliakim" e não aos eventos cobertos pela TV Globo, mesmo porque a minha memória não me permitiria tecer comentários e, certamente, seria traída por ela.
 
 
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Iracema Torquato [28/06/2004 - 01:01]

Em tempo: meu comentário se refere à estrutura apresentada nesse texto "Resposta a Eliakim" e não aos eventos cobertos pela TV Globo, mesmo porque a minha memória não me permitiria tecer comentários e, certamente, seria traída por ela.
 
 
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Iracema Torquato [28/06/2004 - 00:37]

Kamel, texto longo, repetitivo, baseado em argumentações que apelam pela e na justificativa do que e como "terceiros" agiram: os outros fizeram, tal veículo fez, todo mundo faz... por que, então, nós (da Globo, que temos dados e não precisamos apelar para memória) não teríamos o mesmo direito?! O excesso de detalhes cansa e provoca efeitos totalmente contrários. Como simples leitora (não sou jornalista) não me agradou e nem me convenceu. Ao contrário, ao enfatizar tanto que " ela só tinha informação fresca uma vez ao dia, e bem tarde" (porque os estagiários isso e aquilo...) e a tentativa de amarrar os longos parágrafos com numeração torna a narrativa dasarticulada e, francamente, peca por excesso de dados numéricos em detrimento de análises que poderiam ser mais profundas e concisas em nível qualitativo.
 
 
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Talis Andrade [27/06/2004 - 18:49]

"No dia sete de janeiro de 1983, a Polícia Federal divulgou suas conclusões sobre o inquérito da Proconsult. No relatório, está dito que `a Proconsult não praticou fraudes na computação dos votos`, cometendo apenas `pequenas falhas”.
Pequenas falhas significam quantos votos para mais ou para menos?
Tais falhas podem acontecer em algum ano par?
 
 
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Paulo Ludmer [27/06/2004 - 14:48]

Paylista, somo aqui três observações:
1) em SP Brizola não foi bom de eleitorado;
2) respeito era uma tônica em sua imagem; e,
3) quem sentia raiva, não lhe era indiferente!

eu pessoalmente não pertenci à sua lista de fãs. Acresce que sua importância transcendia opiniões de quem quer que fosse.

Ele no enterro de Marinho, Lula e um Marinho no dele, mostram que política é uma dimensão e não uma opção humana.

 
 
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Pedro Diedrichs [27/06/2004 - 13:08]
(Obito-Obituário)


Concodo Leila... A meu exemplo, nunca votei em Brizola, mesmo quando votava no Rio de Janeiro, mas em nenhum tempo conseguir deixar de ter o respeito por este perseguidor de ideáis e ideais!
 
 
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Leila Weber [27/06/2004 - 00:02]
(Freelancer)


Em vida, Brizola foi superior a picuinhas. Agora, é mais superior ainda, e para sempre. Ainda serão gastos muito espaço, minutos e papel sobre ele; mas nada do que se diga, ou, escreva, vai mudar a História que ele fez. E mais importante que saber se a Globo foi, ou, não, A inimiga, se houve, ou, não, fraude da Proconsult, é lembrar o exemplo de brasilidade, lisura, firmeza, constância e força moral que Brizola deixou. Há uma música gauchesca que, lá pelas tantas diz "não podemo se entregá pros home, amigo e companheiro... pois lutá é a marca do campeiro..." E isso também foi marca do Brizola: lutou pelo ideal de construir uma pátria mais justa, e desse ideal jamais desistiu, jamais se entregou fossem quais fossem as vicissitudes pelas quais passasse. De uma pessoa assim, o melhor que se pode fazer é aproveitar as lições e os exemplos. O resto é simplesmente o resto.
 
 
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Gloria Maria Figueiredo [26/06/2004 - 09:41]
(Freelancer)


Se me dão licença : estou orgulhosa dos comentários postados !
 
 
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Paulo Ludmer [26/06/2004 - 09:02]

É preciso atenção para evitar o risco de manter uma visão cristalizada de entes vivos que se transformam no tempo. A rigor, Brizola se transformou, assim como a TV Globo, as conjunturas e as estruturas se alteraram...Há uma armadilha para quem não renova sua percepção com os fatos que se sucedem. São desagradáveis os julgamentos com pés no passado e coração nas circunstâncias do presente. Lembro que traduzir é da raiz de trair. Mesmo quando se procura o sentido das palavras na hora e no momento histórico em que foram pronunciadas, hoje é inútil ignorar que significados podem ser outros. Assumir a postura de juiz é ambição desmesurada, recusá-la pode ser impossível na vida. Não quero seguidores, dizia F.Nietzsche.
 
 
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Delmar Marques [26/06/2004 - 07:01]
(Diretor-DM Textual Editoração Eletrônica - SP)


O C-se e seus leitores/participantes é que saem ganhando nessa pendenga toda, por ter acesso a uma enorme gama de informações sobre fatos importantes da nossa história. Outras "versões" deverão surgir e no confronto do contraditório poderemos chegar o mais perto da verdade possível. Detalhes que antes ficariam restritos a bate-bocas em bares são esmiuçados para nosso deleite. Kamel, fortemente documentado, já que tem os arquivos e a infra da Globo à disposição para preparar a defesa da emissora, trouxe maior número de dados, pinçando aquilo que corrobora sua tese. Outros terão de puxar pela memória. O importante é que o assunto seja exaustivamente debatido, pois há muita coisa ainda a ser revelada. Só não vale usar a Veja para justificar a Globo, o cobertor é curto. Veste um "santo" e despe o outro. Em termos de manipulação, a briga entre os dois é feia, ainda mais qdo se sabe o qto rezam pela mesma cartilha.
 
 
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Eduardo Sander [26/06/2004 - 02:18]
( Outros-E-clip - RJ)


Um detalhe que poucos vão lembrar: Brizola começou a "virar o jogo", acabando eleito governador do Rio em 1982, contrariando as pesquisas que garantiam o favoritismo de Sandra Cavalcanti, graças ao histórico debate promovido pelo programa "O Povo na TV", na então TVS (hoje SBT).
 
 
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Daniel Dantas* [26/06/2004 - 00:36]
( Outros-Petrobras - Petróleo Brasileiro S.A. - RJ)


Como muitos devem ter feito, li esse artigo duas vezes, já que está publicado no UOL, em resposta a Paulo Henrique Amorim. Ele e Eliakim são ex-globais, todos sabemos. E fizeram acusações semelhantes contra a tevê dos Marinho. Mas Ali Kamel foi extremamente deselegante contra Amorim, ao contrário do cuidado que tomou com as palavras dirigidas a Eliakim. A Globo pode até não ter participado da fraude contra Brizola, mas com investidas como "O Salvador da Pátria" e "Que Rei Sou Eu?" ajudou a eleger o Collorido. Ajudou o Brasil a dar errado. Sem contar com o debate famoso, lembram? Teve interesses lesados no governo Collor, aí Gilberto Braga escreveu "Anos Rebeldes" e pôs os caras-pintadas nas ruas. Lembram? E enquanto o Brasil fervilhava pedindo "Diretas Já", os jornalistas da Globo tinha que driblar a censura interna usando lenços e gravatas amarelas no ar, lembram? Tem como Kamel se defender disso? E acho que me lembro desse tal "Globo Réporter" que ele diz não ter ocorrido.
 
 
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Talis Andrade [26/06/2004 - 00:23]


Kamel escreveu uma longa defesa e esqueceu o principal:
A Globo era contra o cidadão Brizola ou contra o ideário político que ele representava?
Kamel ficou na de que "deixem os mortos enterrarem os mortos":
Que Roberto Marinho iria ao enterro de Brizola...

 
 
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Marcelo Machado Silva [25/06/2004 - 23:39]
(Editor-Chefe / Coordenador de Conteúdo-A TARDE - BA)


A propósito: parabéns à Rede Cultura pelo especial de quinta-feira sobre a Campanha da Legalidade, com entrevista de Paulo Markun com Brizola, realizada em 2001; e também por ter reprisado nesta sexta-feira a entrevista que Roberto D'ávila fez com Brizola em 89. Uma homenagem justíssima da Cultura, no tom certo, longe de qualquer tipo de pieguice. Revendo essas entrevistas com o Velho Leonel, pude concluir que, de fato, nosso Brasil está agonizante em termos de lideranças políticas. Elio Gaspari disse que a morte de Brizola significou o fim do século XX sob o aspecto político, e afirmou que ele não deixou nenhuma herança para o século XXI...Se isso é verdade, caro Gaspari, é uma pena...
 
 
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Marcelo Machado Silva [25/06/2004 - 18:48]
(Editor-Chefe / Coordenador de Conteúdo-A TARDE - BA)


Caro Ali Kamel, contra fatos não há argumentos, mas creio que todas as (supostas) imprecisões cometidas por Eliakim Araújo não desqualificam o artigo dele, pois o cerne da questão é outro. Uma coisa é um jornaleco do interior agir de forma tendenciosa e escandalosa a favor de A e contra B ou C e etc. (infelizmente, é assim que acontece); outra coisa foi o que a Globo fez durante anos em nível nacional, contra quem esteve do lado oposto de seus interesses políticos e econômicos. Seria utopia esperar a isenção, naquela época, do grupo de comunicação mais poderoso do país? O tal documentário da BBC, que assisti enquanto estudante de Jornalismo, há mais de dez anos, na PUCCAMP, resume toda a ópera. Não sou esquizofrênico, mas engrosso o coro daqueles que julgam que a Globo ajudou o Brasil a dar errado. Há mais aparelhos de TV que geladeiras nas casas do povo brasileiro (leia-se classes C, D e E). Sem senso crítico e comida em casa, o povo agiu conforme os interesses dos coronéis globais.
 
 
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Talis Andrade [25/06/2004 - 18:07]

... é uma história boa de não se ver de novo...
 
 
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Talis Andrade [25/06/2004 - 17:57]

Depois de morto Brizola ganhou espaço na Globo.
 
 
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João M. Cerqueira [25/06/2004 - 17:41]

... "quem lê tanta notícia?" ...
 
 
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