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Livro relata a primeira história da Revolução Farroupilha

( Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil - Comunique-se - )
A polêmica em torno da primeira história da Revolução Farroupilha está de volta. Trata-se do livro “Tentativa de Independência do Estado do Rio Grande do Sul” escrito por Luigi Nascimbene e publicado em Paris, em 1860. O resgate e publicação da obra em moderno projeto gráfico e editorial leva a assinatura da CiaE – Companhia Editorial, com sede em Porto Alegre. O lançamento oficial ao público acontecerá no dia 09 de Setembro, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli – MARGS. Com 400 páginas, capa dura, 100 imagens – muitas delas inéditas - o livro tem a organização de Mário Rozano e projeto gráfico de Roberta Fernandes.
Apresentado pela Governadora do Estado, Yeda Crusius, inclui textos dos mais importantes especialistas em história do Estado e do exterior como Gunter Axt, do brazilianista norte-americano Spencer Leitman, Miguel Frederico do Espírito Santo, Carlos Roberto da Costa leite e Luiz Carlos Cunha Carneiro – Diretor do Arquivo Histórico do RS, além da Secretária de Estado da Cultura, Mônica Leal e do Presidente do FIGTF – Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore do RS, Manoelito Savaris.

A HISTÓRIA POR LUIGI NASCIMBENE

Luigi Nascimbene, italiano, engenheiro, arquiteto hidráulico, esteve presente na América Meridional entre 1829 e 1850 e acompanhou de perto os acontecimentos do considerado "decênio heroico". Nascimbene integrou o numeroso grupo de italianos que, sob as pressões reacionárias da Santa Aliança e da polícia dos Estados Sardos, tiveram que abandonar a península italiana a partir do ano de 1821. Articulados em sociedades secretas, entre as quais se destacava a Giovine Itália, liderada por Giuseppe Mazzini, eles levaram a diversos países da Europa e América a chama de seus ideais liberais e republicanos.

Esse ideário explica a adesão que vários deles prestaram à Revolução Farroupilha e à República Rio-Grandense, destacando-se Giuseppe Garibaldi, Luis Rosseti e João Batista Cúneo, Livio Zambiccari, entre outros.

Nascimbene, de menor expressão política, emigrou para Buenos Aires em 1829 e exerceu ativamente o comércio no Uruguai onde se tornou financiador e fornecedor de gêneros diversos à República Rio-grandense. Em função dessa atividade Nascimbene é referido em diversos números do jornal oficial O POVO e em atos administrativos do governo farrapo.

De forma jornalística - lembra Euclides da Cunha e Reeds - o relato de Nascimbene começa no início do século XIX e aborda os movimentos de descolonização na América Latina e o intricado processo de formação dos Estados nacionais no subcontinente. Envolvendo diretamente as metrópoles coloniais ibéricas e seus domínios americanos, essa conjuntura não foi indiferente a europeus de outras procedências, interessados nos destinos que tomariam os países que se iam formando ao longo daquele processo.

Neste sentido a obra de Nascimbene é ímpar. É a memória de alguém aparentemente "neutro" em relação aos conflitos que descreve, apesar de assumir claramente a defesa da independência americana e do sistema republicano. Pelo caráter "científico" que procura mostrar no relato, repleto de analogias entre os fatos sociais e fenômenos da natureza, pela originalidade como interpreta as complexas questões políticas e diplomáticas que observa, manifestando opiniões polêmicas, cujo ápice é a sua proposta de linha divisória e criação do Rio Grande como mais um Estado Independente no Prata, tendo como capital a cidade de Pelotas.

Nascimbene esforça-se em compreender e manifestar os eventos desde uma perspectiva ampliada, ultrapassando os limites de uma história "nacional", e disso resulta uma análise da rebelião farroupilha como corolário da Revolução de Maio de 1810, assumindo decididamente a defesa de um caráter platino ao Rio Grande do Sul.

Trata-se de uma obra que vai possibilitar o aprofundamento dos estudos sobre o mais importante conflito e a primeira tentativa de implantação do regime republicano e que colocou em risco o sistema imperial brasileiro por 10 anos na região mais meridional do País.



Pauta postada em: 14/07/2009 20:20


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