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Lourival Sant'Anna relata experiências em livro

Quem gosta de jornalismo investigativo está consciente dos riscos que corre. Correspondente de guerra também. Lourival Sant'Anna (foto ao lado), 35 anos, escreveu sobre a experiência de risco da cobertura da guerra no Afeganistão, bombardeado pelos Estados Unidos depois dos atentados de 11 de setembro. Em "Viagem ao mundo dos Taleban", o jornalista do Estado de S. Paulo conta o outro lado da história. No livro, ele tenta descobrir uma justificativa para os ataques ao World Trade Center.

Quatro horas depois do atentado, Sant'Anna, desconfiado de que Osama Bin Laden estivesse envolvido no caso, já estava no aeroporto a caminho do Paquistão. Mal chegou a Islamabad e conheceu o afegão Iqbal Afridi (foto abaixo), que lhe serviu de guia. E foi um guia muito valioso. Foi ele quem ajudou o jornalista a entrar no Afeganistão. "Afridi era muito articulado e cheio de contatos. Pertencia a uma família muito influente", conta o repórter, que se tornou amigo do muçulmano

Sat'Anna foi o segundo jornalista a conseguir entrar no Afeganistão - a primeira foi Yvonne Ridley, do The Sunday Express of London, presa durante 10 dias naquele país. Ele conta que só não teve problemas com o Taleban porque, ao invés de ser encontrado pelos militantes, ele quem os procurou. Estar acompanhado de alguém que eles conheciam também foi seguro. "Seis dias antes de os EUA começaram a bombardear o país, eu consegui atravessar a fronteira. Precisava ouvir o lado deles. Foi muito interessante, porque foram pegos de surpresa. Fui direto à sede do governo dos Taleban. Quando me viram, não fizeram nada. Concederam entrevistas. Os afegãos têm um lado de hospitalidade muito interessante". Para evitar problemas maiores, ele deixou a barba crescer e passou a se vestir como um afegão.

Por questão de segurança, passou apenas algumas horas no Afeganistão. Mas foi um tempo bem aproveitado. Conseguiu que os militantes e governantes expusessem o que sentiam e falassem sobre os atentados. Mais até que a rede de TV americana CNN, que enviou oito equipes, cada uma com quatro profissionais. "Eles andavam em comboios e com escolta. Quando achavam alguma coisa interessante, paravam e entrevistavam as pessoas. Eu estava sozinho, vestido de afegão e buscando entender por que fizeram aquilo", compara.

"Viagem ao mundo dos Taleban" conta os bastidores das reportagens, as angústias e alegrias de Sant'Anna, conclusões, reflexões sobre o Islamismo e traz discussões entre professores das escolas religiosas.

O livro será lançado em Goiânia, sua terra natal, nesta sexta-feira (14/06), às 19:30h, na Livraria Siciliano, no Shopping Flamboyant.

Sobre Lourival Sant'Anna
Repórter especial do Estadão, Sant'Anna cobre Internacional e Brasil. Passou quase todo o tempo de carreira no jornal, que, segundo ele, "dá as maiores oportunidades na área internacional". Consciente dos perigos e limites da profissão, o jornalista diz que procura fazer seu trabalho dentro do que acha seguro para sua vida. "Quando fui para o Afeganistão, minha mulher estava grávida do segundo filho. Sabia que não poderia ficar longe por muito tempo. Fiz a cobertura da forma mais segura possível. Apesar de amar o que faço, a minha vida é mais importante do que uma reportagem".

O primeiro contato com o Jornalismo foi como repórter da Folha de S. Paulo, em 1989. No ano seguinte, já estava no Estadão, na editoria Internacional. Deixou o jornal em 1993 para trabalhar na BBC de Londres. De lá, fazia reportagens para o Estado. Quando retornou ao Brasil, em 1995, foi convidado para ser editorialista do Estadão. Passou para a reportagem especial. Mas um convite para trabalhar na CNN, em Atlanta (EUA), balançou seu coração. Ficou lá trabalhando como editor do site em português durante três meses. "Pedi que o Estadão me aceitasse de volta. Adoro reportagem especial, não quero mudar mais de área", declara.

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14/6/2002
 
Miriam Abreu [17/06/2002 - 11:00]

Oi, Ernst Weber.
Conversei pelo telefone com Lourival Sant'Anna durante uma hora. Fui fiel a tudo aquilo que ele me disse. A história da "justificativa" foi dita por ele, que queria se referir a tentar entender o outro lado da questão. Lourival também me contou que, quatro horas depois dos atentados, ele já estava no aeroporto. Ele sabia que toda aquela desgraça que aconteceu no WTC era resultado de atentados terroristas.
Espero que tenha esclarecido suas dúvidas.
Abraços,
Miriam Abreu
 
 
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