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Tempos de integrações e novas apostas

Mario Lima Cavalcanti

Depois da recente decisão por parte do jornal norte-americano New York Times de integrar suas operações impressa e online - pretendendo colocar as redações lado a lado em um único espaço físico na sede do veículo -, agora é a vez do Sporting News, magazine esportivo também dos Estados Unidos, investir em mudanças significativas. Porém, nesse caso, o foco é o leitor. E bota foco nisso.

O Sporting News já tem um histórico de mudanças e apostas se pensarmos que, o que começou com uma simples revista sobre beisebol, hoje é um magazine esportivo amplo - cobrindo quase tudo com particularidade, incluindo automobilismo, golfe, tênis, futebol, corridas de cavalo, boliche e diversas ligas (NFL, NBA, NHL, NASCAR etc) - e uma empresa de mídia sólida que possui uma divisão de livros, uma estação de rádio e um website independente.

A presença do Sporting News na Internet conseguiu desde sempre ser mais que uma vitrine virtual de revista e, hoje em dia, o site está cada vez mais buscando entender o que os leitores representam. A última aposta realizada pelo veículo - e aonde eu queria chegar - foi a de buscar tratar cada leitor com o máximo de atenção e distinção, criando uma espécie de ranking de usuários baseado na interação e na experiência deles em relação ao universo esportivo. Além disso, cada leitor pode ter um weblog pessoal (olha o Comunique-se aí!), trocar mensagens com outros usuários online (olha ele aí de novo!) ou criar suas próprias análises esportivas, essa última característica, aliás, uma tacada de mestre. Seria o equivalente a um usuário brasileiro fanático por futebol ter o poder de ser técnico da Seleção Brasileira ou de gerenciar um time de futebol (quem não gostaria?).

Fiz um cadastro gratuito no Sporting News para experimentar a nova versão (ainda beta) e, principalmente, para conferir o funcionamento do ranking. Na prática, a proposta sugerida pelo site baseia-se também na aprovação ou rejeição de comentários postados. Cada leitor, dependendo das suas taxas de participação e performance, pode ser classificado em Rookie (Iniciante), Sophomore (Intermediário), Veteran (Veterano), All-Star (Estrela) ou MVP (Most Valuable Player/Professional, ou Jogador Mais Valioso). Se o usuário se mostra um "expert" num determinado assunto, recebe um "certificado virtual" correspondente. O esquema de porcentagem montado lembrou o conceito de karma utilizando por alguns sites de colaboração participativa, como o Plastic.com, o que torna um leitor um ser cada vez mais confiável perante os olhos de outros usuários.

Quando às vezes é falado que o jornalismo online deve buscar ao máximo explorar propriedades da Internet, não se resume "somente" a apostar em áudio ou vídeo. Esse tipo de interação está fadado ao sucesso e se mostra uma grande ferramenta de fidelização, fazendo com que o usuário sinta gosto em participar, em navegar, em se informar.

Steve Klein, professor e coordenador do programa de jornalismo eletrônico no Instituto Poynter, comentando a nova aposta do Sporting News em um post no Poynter.org, diz que "se a Internet fez de qualquer pessoa um editor no século 21, ela é capaz de tornar também qualquer fã de esporte um gerente". Obviamente o comentário de Klein não precisa ser levado ao pé da letra, mas podemos puxar para o lado da facilidade e das possibilidades no meio online. Que apostas como a do SportingNews.com ajudem a agregar interesse e desenvolver o meio online. Até a próxima!

Conhece alguma forma de interação semelhante ao do Sporting News? Quer participar com comentários? Utilize o formulário abaixo e deixe registrada a sua opinião!




16/8/2005
 
Talis Andrade [17/08/2005 - 23:39]

Vou citar apenas os que ora aparecem na capa do Blog-se. Parece que os sitiantes do C-se não gostam de comentar nos blogs da casa porque os nomes não aparecem. Acho uma injustiça. Temos blogs que merecem ser citados como os melhores do Brasil. Pela beleza. Pela qualidade do texto. São notáveis: Sítio do Sérgio Léo, São Paulo 451 anos de Gaspar Bissolotti, Lanterna dos Afogados de Lindolfo Pereira da Silva, Evolução de Tânia Mara Novak, Trem Azul de Thomaz Magalhães, Sidney Borges, Moacir Japiassu e outros. O próprio C-se não divulga bem os blogs. Chama um de cada vez. Para uma exposição de minutos na capa.
 
 
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Valéria Zukeran [17/08/2005 - 18:25]
(Repórter-O ESTADO DE S. PAULO - SP)


Acho que a internet pode e deve ser revolucionária no sentido de diminuir a distância entre os jornalistas e seus leitores, enriquecendo o material publicado, especialmente na mídia on-line. Mas o que precisa ser colocado em discussão são os limites da participação dos leitores porque trocar a informação por simples opinião para mim não é jornalismo. E se o leitor for a fonte básica de informação de um site, ele terá de estar preparado para assumir as responsabilidades pelo que informa.
 
 
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Marcos Machado [17/08/2005 - 11:39]
(Profissional Contratado)


Como assim, as danúncias nunca partem da imprensa? Quem primeiro denunciou o mensalão foi o Jornal do Brasil com um ano de antecedência ao Roberto Jefferson. Somente, o jornal não tinha acesso a informações que só alguém de dentro poderia ter.
Só é mais compromissado com a verdade quem pode ir à barra de um tribunal responder por ela. Não quem comenta por trás de um nickname num site de Tonga ou Vanuatu.
 
 
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Marcos Machado [17/08/2005 - 11:34]
(Profissional Contratado)


Qualquer um pode ser jornalista - se vai ter leitores é outra pergunta. E nem é preciso que um veículo de massa abra espaço - os blogs estão aí para comprovar e, antes deles, os fanzines reprográficos, alguns tem mais pageviews do que algumas empresas jornalisticas.
O formandos brasileiros não preferem ser assessores de imprensa. Simplesmente, esse é o ramo do jornalismo que abre mais vagas de empregos. Entender isso é fácil: basta comparar os números de empresas e de órgaõs de imprensa em uma cidade. O assessor de imprensa não é um mercénário, não é prostituta, e nem tem parte com o demo. Talvez no máximo seja o servo de dois patrões, pois sabe que precisa atender a interesses dos jornalistas e dos seus clientes. Contrariar o cliente é ruim, e pode custar o emprego, mas ser desonesto com os colegas é pior, pois custa a carreira. É lamentável que persista essa visão preconceituosa sobre a categoria que acabou com o "nada a declarar".
 
 
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Jonas S. Marcondes [16/08/2005 - 21:26]

A abertura aos leitores é enriquecimento, pois surgirão novos valores para um jornalismo novo, provavelmente melhor. Como comentou Delmar Marques, com fontes consideráveis, vindas de comunidades interessadas.
 
 
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Roberto Alves d´Azevedo [16/08/2005 - 18:13]
(Diretor-R&A Comunicação - RS)


E o que é jornalismo ? Apenas uma atividade ?, uma postura ?, uma atitude ?, uma maneira de pensar e de agir ?, um diploma ?
uma educação ?, uma tradição ?. Talvez, se conseguirmos sair das opiniões pessoais, fique mais fácil a Comunicação.
 
 
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Delmar Marques [16/08/2005 - 17:01]
(Diretor-DM Textual Editoração Eletrônica - SP)


Discordo de que o leitor não possa vir a ser jornalista, que deva ficar limitado a opiniões, entrevistas, social ou cartas. Trata-se de uma posição preconceituosa, corporativistas e anti-democrática. Felizmente, as novas tecnologias vão possibilitar justamente essa abertura, pq baratearão de tal forma os veículos de difusão que pessoas de baixa renda, que não tiveram condições de frequentar uma faculdade ou fizeram outro curso, terão condições de atuar também como jornalistas. Na medida, como é o caso brasileiro, em que os formados em jornalismo preferem atuar como assessores de imprensa, crescerá a tendência entre o público de procurar fontes mais confiáveis, menos mercenárias e mais preocupadas em levar a verdade aos demais. Na medida que ficar evidente que as denúncias nunca partem da imprensa, que só se mexe depois que os escândalos estouram, estará aberta a porta para a sociedade organizada estabelecer veículos próprios de comunicação, que lhes dê voz e liberdade de participação.
 
 
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Heleno Lima Valério [16/08/2005 - 16:39]
(Profissional Contratado)


Muito boa essa inciativa do NYT em juntar a versão online e a impressa. Essa, me parce, é uma tendência natural. Gostei muito também do projeto do Sporting News excelente e, ao contrário do companheiro Ruy, não penso que o leitor pode ir muito além dos comentários. Este inclusive pode escrever editoriais, por que não? Sem no entanto, corrermos o risco de desmancharmos o jornalismo. Aliás, aquele tipo de jornalismo estático, praticado no passado, onde nós só podíamos ler, raclamar com os íntimos e, no máximo escrever para a redação (e uns poucos privilegiados telefonavam), foi embora sem deixar saudades. Qualquer pessoa pode ser um difundido de notícias. O problema agora é procurar mecanismos que coibam os mal intecionados. Porque sempre vai haver. Mas a boa vontade sempre prevalece e os "rebeldes" que gostam de ver o circo pegando fogo acabam ficando, de uma certa maneira, as margens. Pelo menos para os bem informados.
 
 
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Ruy César Ferrari [16/08/2005 - 13:12]
(Profissional Contratado)


A Internet é um oceano de possibilidades. A interação é a principal razão desta rede www. É pena que no Brasil, a maioria da população não pode comprar um computador, por que tem outras prioridades, ainda mais básicas. Sobre a iniciativa americana, acho louvável. Sobre a união das redações (internet e real), não vejo com surpresa. É uma tendência real. Com relação a opinião dos leitores, ela é sempre bem-vinda. Enriquece os periódicos. Só não devemos esquecer que o leitor não é jornalista. O seu lugar não deve ultrapassar os limites das linhas de opinião, entrevistas, social ou de cartas (ou e-mail). Caso contrário, estaremos desmanchando o jornalismo. Ele deixará de informar com critérios para simplesmente entreter e divertir.
 
 
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