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Crise ronda, mas os sinais vitais parecem preservados

Eduardo Ribeiro (*)

A crise anda rondando o segmento da Comunicação e aí incluo tanto a mídia quanto a área de Comunicação Corporativa, sobretudo o segmento das agências de comunicação – ou seja, os maiores empregadores de jornalistas do País. Mas até onde se pode perceber, essa proximidade, embora incomodando e trazendo alguns prejuízos periféricos, não provocou (ainda) sensíveis dores nos bolsos das empresas. Poderá acontecer? Sim, poderá. Mas já aconteceu? Não, ao menos de forma visível, explícita.

Duas notícias ruins partiram essa semana da mídia tradicional, com as demissões na Band (oito na Rádio Bandeirantes e quase o mesmo tanto  no Esporte da tevê) e na Editora Peixes. Seriam sintomas diretos da crise? Difícil dizer até mesmo porque as próprias empresas não se pronunciaram sobre as causas. A Band sequer se pronunciou. E a Companhia Brasileira de Multímidia, a CBM, que administra a Editora Peixes, informou, em comunicado oficial, tratar-se de uma reestruturação para fortalecer suas operações, gerar sinergia entre os produtos e melhorar os resultados finais. Neste caso, a questão é que o acionista principal, Nelson Tanure, não quer injetar mais dinheiro no negócio e exige que a operação tenha maior lucratividade, tendo em vista o imenso passivo financeiro da empresa, que até os que conhecem não se sentem confortáveis em revelar. Ou seja, é um buraco antigo, que já vem da administração anterior e que não foi sanado com a chegada de Tanure ao negócio – a origem, portanto, não é a crise, mas pode estar sendo agravada por ela.

São dois fatos aparentemente isolados.

Em relação ao mercado, como um todo, tenho ouvido aqui e ali comentários ou insinuações de que os veículos já estariam sentindo na prática os efeitos da crise, com o encolhimento da publicidade. Soube até que um dos grandes jornais de São Paulo chegou a abortar a antecipação do pagamento da segunda parcela do 13º salário para não comprometer o fluxo de caixa. Certamente os empresários e executivos dos veículos devem estar muito atentos a tudo o que está acontecendo e falando entre si, sobre possíveis caminhos. A época é de fato perigosa, pois o final do ano, em função de abonos e do 13º salário, sempre exerce uma pressão maior sobre o caixa das empresas, daí muitas vezes resultando em cortes na equipe.

Num olhar mais geral, percebemos que as empresas estão muito atentas aos cenários, mas não demonstram uma pré-disposição para atitudes radicais, como em outras ocasiões.

Isso, claro, pode mudar, até porque o fluxo de notícias ruins tem sido muito mais constante e efetivo do que o de notícias menos ruins. E com isso, mesmo aqueles que não estão sendo diretamente afetados acabam contagiados por essa negatividade de ambiente.

No segmento das agências, recente sondagem realizada pela Abracom, a Associação Brasileira das Agências de Comunicação, com 73, das quase 300 associadas, revela que 53% delas já sofreram algum tipo de impacto em função da crise. Isso significa que já tiveram de renegociar contratos (para baixo, obviamente), adiar projetos ou mesmo trabalhar mais, sem poder cobrar por isso, até para não descontentar os clientes.

No caso das agências, tenho ouvido pessoalmente vários empresários do setor, por conta do projeto Especial Agências 2008, que estamos preparando pelos informativos Jornalistas&Cia e Jornal da Comunicação Corporativa. Posso assegurar, pelo que ouvi até agora, que todos estão preocupados, sim, mas desanimados, não. Ao contrário. Se houve alguma perda de jobs, de outro lado praticamente não se mexeu nos contratos. E há uma grande esperança de que a crise gere, isso sim, novos e bons negócios para o setor, pela capacidade que hoje ele tem de ajudar as empresas nas suas estratégicas comerciais, de marketing e de negócios. Nenhuma das seis médias e grandes agências que ouvi pensa num 2009 igual ou pior do que 2008, que foi um ano bom ou muito bom. Acham que não vão crescer tanto quanto gostariam, mas nem pensam na hipótese de não crescer ao menos um pouco.

É como diz o ditado: “Na crise, muitos choram. E outros aproveitam para vender lenços”. E pelo visto, as agências de comunicação, ao menos uma boa parte delas, está se preparando para vender lenços, de olho na capacidade que hoje ostentam de agregar inteligência aos processos de comunicação e marketing.

Há um outro componente que não pode ser desprezado no campo da assessoria de imprensa, a chegada de contratos do setor público, como a recente licitação da Secom, da Presidência da República, para um contrato anual de R$ 15 milhões, vencida pela CDN. Esse foi o maior contrato da história do setor, de longe, e o que se espera a partir de agora é que essa experiência se multiplique por todos os poderes e pelas esferas federal, estadual e municipal. Difícil até imaginar o que isso pode representar de negócios para o setor. Se as agências estão muito próximas ou quem sabe até já tenha suplantado a barreira do R$ 1 bilhão de faturamento anual, no conjunto, esse valor poderá até dobrar em poucos anos, com a chegada mais efetiva dos contratos das áreas públicas.

Temos, sim, o sinal amarelo aceso, como um alerta da proximidade da crise. Mas nada ainda faz crer que o próximo sinal a acender seja o vermelho. Pode dar verde na cabeça, pois, afinal, os sinais vitais tanto da mídia quanto das agências continuam intactos e o organismo está funcionando normalmente.

É o que todos esperamos para que o mercado continue com uma curva positiva de crescimento. As velhas e as novas gerações agradecem.

(*) É jornalista profissional formado pela Fundação Armando Álvares Penteado e co-autor de inúmeros projetos editoriais focados no jornalismo e na comunicação corporativa, entre eles o livro-guia "Fontes de Informação" e o livro "Jornalistas Brasileiros - Quem é quem no Jornalismo de Economia". Integra o Conselho Fiscal da Abracom - Associação Brasileira das Agências de Comunicação e é também colunista do jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, além de dirigir e editar o informativo Jornalistas&Cia, da M&A Editora. É também diretor da Mega Brasil Comunicação, empresa responsável pela organização do Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas.




19/11/2008
 
Janine Azevedo [23/11/2008 - 11:42]
(Profissional Contratado)


Realmente, concordo que essa é a grande oportunidades para os profissionais de comunicação, seja assessoria de imprensa, comunicação, institucional ou corporativa.

O fato é: temos de saber fazer com que as empresas tenham essa visão, que nossa atuação agora, nesse tempo de crise, é uma das mais estratégicas que pode ter para que não sejam engolidas pela tempestade que nos ronda.
 
 
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