|
A ANJ – Associação Nacional de Jornais – tem afirmado que os jornais brasileiros não estão sofrendo com a crise, mas os números do IVC de janeiro não dão razão para otimismo. Excluindo-se os números razoáveis dos gaúchos, as médias diárias de dez jornais brasileiros apontam uma tendência de queda preocupante. Comparem aí em baixo:

******
Papel era bom até como lanche João Ribeiro foi um (ótimo) editor de ÚLTIMA HORA, o jornal de Samuel Wainer nas décadas de 50 e 60. Enquanto fechava a edição, Ribeiro comia várias laudas aproveitadas de sobras de bobinas para uso na redação (naquele tempo, rapaziada, as matérias eram datilografadas!). Hoje Ribeiro estaria a caminho de morrer de fome. Com o computador, o papel sumiu da redação. E, no futuro, talvez desapareça inteiramente, junto com as rotativas e as oficinas. A Associação Americana de Editores de Jornais anuncia mudança de nome no próximo mês. A palavra “newspaper” (jornal) será substituída por “news” (notícias) simplesmente – “para reconhecer a crescente importância das organizações noticiosas on-line e dos bloggers”, segundo um de seus dirigentes. Mas está com jeito de preparação para um dia dizer “adeus, papel”.
******
No creo em brujas pero que las hay... Quatro diários do estado de Tennessee, EUA, fizeram um acordo de cooperação, cuja espinha dorsal é formar uma “agência” para distribuir o mesmo material editorial a todos. Aqui nossos maiores jornais do Rio e de São Paulo já fazem isso há muito tempo, distribuindo noticiário econômico, nacional etc. para jornais de outras cidades. Na negociação do Globo com os controladores do Estadão, um dos pontos discutidos – segundo uma antiga raposa do ramo - teria sido a possibilidade de um acordo semelhante com atrativa redução de custos nos dois lados. Os dois jornais fundiriam sucursais no Brasil e no exterior, mantendo redações separadas apenas para a área de opinião, noticiário local e matérias especiais. Globo e Estadão sequer confirmam qualquer conversa sobre qualquer negociação.
******
Uma curta pensata sobre nós mesmos Esta mensagem, enviada por uma das mais competentes assessoras de imprensa, resume o que venho ouvindo de muitos outros companheiros. Não comento, apenas passo adiante porque ajuda todos nós a pensar sobre os rumos e "progressos" tecnológicos da profissão. "Estou muito decepcionada com a imprensa, está muito contaminada, difícil de lidar, e voce vai entender meus motivos. O surgimento dos sites, que deveria ser um plus na comunicação, desvirtuou o contato com os leitores. A velocidade da notícia passou a ser mais importante que a veracidade. A matéria vai ao ar, dá suite em todos os outros, nos programas de tv e faz pauta para o dia seguinte, se transforma em verdade verdadeira. Não adianta desmentir, pedir retificaçào, eles ignoram, e temos de conviver com as mentiras que prejudicam, e muito, o trabalho que exercemos. Eu cansei. Mas vamos levando, com esperança de que possa mudar"...
(*) Milton Coelho da Graça, 78, jornalista desde 1959. Foi editor-chefe de O Globo e outros jornais (inclusive os clandestinos Notícias Censuradas e Resistência), das revistas Realidade, IstoÉ, 4 Rodas, Placar, Intervalo e deste Comunique-se.
** Atualizada em 10/03. |