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Direito à informação, diz Folha sobre Lei de Imprensa em editorial

Folha de S. Paulo (*)



Fonte:Folha de S. Paulo

Defesas fundamentadas da liberdade de expressão e do direito à informação foram apresentadas na quinta-feira, na sessão do Supremo Tribunal Federal que decidiu, por maioria de votos, pela incompatibilidade total entre a Lei de Imprensa, de 1967, e a Carta de 1988. Unânimes na sustentação desses princípios básicos, os ministros do STF divergiram, entretanto, num aspecto essencial.

Cumpria optar entre a abolição completa da lei atual -editada no regime militar- e a manutenção de alguns de seus artigos, sobre os quais não pesa o espírito autoritário que caracterizava o diploma em seu conjunto. Assim formulada, a questão envolve alguma minúcia técnica, mas suas repercussões práticas se revestem de grande relevância.

Aparentemente, qualquer lei específica sobre o assunto tenderia a conflitar com a plena garantia dos direitos à expressão e à informação. A esta visão se inclinaram alguns ministros do Supremo. Outros membros da corte admitiram, em tese, a possibilidade de uma lei específica.

Mesmo assim, 7 dos 11 ministros julgaram mais indicado abolir toda a lei. Tanto seus aspectos mais repressivos -os quais, depurados na própria atividade do direito, já haviam deixado de vigorar- como os mecanismos isentos desse caráter fariam parte de um conjunto único, que seria incorreto desmembrar.

Resultou minoritária a tese de que certos artigos do diploma deveriam ser mantidos. Seria esta, na verdade, a decisão mais apta a garantir o pleno direito à informação. Embora a Constituição o assegure plenamente, na legislação civil e penal há dispositivos capazes de inspirar empecilhos a esse princípio, em especial quando casos duvidosos são julgados em primeira instância.

Já se registraram, nessa esfera judicial, decisões em favor do recolhimento de biografias publicadas, supostamente por conterem material ofensivo à memória de personalidades reais. A censura prévia e a intimidação judicial sobre publicações menores e independentes -ou sobre indivíduos que, cada vez mais, se valem da internet para fazer jornalismo e emitir suas opiniões- tornam-se assim um risco.

Na falta do núcleo não autoritário da lei, decisões relativas às várias formas de manifestação da imprensa estão entregues, a partir de agora, a interpretações fragmentárias e por vezes intempestivas de juízes singulares. Uma das principais fontes de incerteza, decerto, será a ausência de parâmetros para o direito de resposta -o que vai afetar não só empresas jornalísticas, mas sobretudo o cidadão que se sentir ofendido por uma publicação.

Grandes companhias de comunicação podem, sem dúvida, prosseguir na defesa do direito à informação, apelando a instâncias superiores, onde o princípio encontra abrigo sólido. Mas só por meio de uma lei de imprensa estariam os órgãos de comunicação regionais, os sites isolados da internet e os cidadãos em geral mais bem protegidos das ameaças, que nunca cessam.

Cabe agora ao Congresso abreviar o perigoso vácuo que se abre com a decisão do STF, elaborando uma nova lei de imprensa, plenamente democrática.

(*) Editorial da Folha de S. Paulo publicado no dia 03/05




4/5/2009
 
Léo Bueno [06/05/2009 - 11:36]
(Freelancer)


Peraí, peraí: desmandos da Folha à parte, ficar sem uma Lei de Imprensa me parece errado. E perigoso. Pelo que entendi, Romero Jucá está discutindo meramente a questão do direito de resposta, que, de fato, está no vácuo. Mas há outras questões que precisam ser discutidas.
 
 
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Ricardo Luiz Guimarães Ribeiro [04/05/2009 - 23:05]
(Editor-FOLHA MARIANENSE - MG - MARIANA)


A Suprema Corte apenas reconheceu que a Lei de Imprensa era inconstitucional. Não cabe ao STF editar uma nova lei. Agora, a bancada evangélica e o empresariado sinalizarem para a possibilidade de criar "parâmetros" é preocupante. Com certeza querem resguardar seus interesses e jamais dirão uma única palavra sobre a concentração dos meios de comunicação.
 
 
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Cláudio Neves [04/05/2009 - 20:43]
(JORNALISTA NÃO LOCALIZADO-ALICERAMOS.COM - RJ)


Folha de São Paulo, um jornal que apóia "ditabrandas" está agora preocupado com o perigoso vácuo deixado pela Lei de Imprensa autoritária que tanto lhe favorecia? Preocupado com o que? Com a democracia? Desde quando?
A Folha não tem estofo moral para reclamar uma nova Lei de Imprensa. Além de não ser necessário - porque os dispositivos que versam sobre direito de resposta podem ser aprovados isoladamente - uma nova Lei de Imprensa completa só iria favorecer a grande mídia. Querem apostar?
Em um país que uma só emissora de tv decide e impõe o padrão de tv digital, proíbe multiprogramação, chefia o Ministério das Comunicações, não fica difícil conceber um lobby dos grandes veículos para forçar a aprovação de uma "Lei de Empresa" (no lugar de "Imprensa"). Quer dizer então que agora a Folha está preocupada com órgãos regionais de imprensa? Façam-me rir. Uma nova Lei de Imprensa alegadamente "democrática" só garantiria a liberdade de empresa e nada mais.
 
 
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