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Pelo bem do ensino de JOL
Mario Lima Cavalcanti
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Muito tem se discutido sobre a qualidade do ensino universitário de jornalismo online tanto no Brasil quanto em outros cantos do mundo. Nas próprias universidades; entre os estudantes; entre os profissionais; nos fóruns e listas de discussão; em outros artigos e comentários, um ensino de qualidade no campo é quase sempre requisitado e debatido por todos.
A solução estaria em oficinas de webjornalismo? Seriam estas um complemento para alguém que cursou ou cursa o ensino superior? Ou a solução está mesmo nas universidades e estas devem investir ao máximo em uma infra-estrutura solicitada pelo corpo docente responsável por lecionar o curso? Talvez a solução nesse caso não seja isolada. Talvez a solução esteja em um ponto de conhecimento complementando o outro - ensino universitário, oficinas, livros, troca de informações, prática.
Mas vamos focar o tema do artigo nas universidades. Alunos entram num curso de comunicação e saem com a sensação de que não estão preparados para encarar o mercado das mídias digitais. O que causaria essa sensação? Um ensino fraco. O que causaria esse ensino fraco? A falta de investimento/interesse/conhecimento real de uma universidade sobre um campo que tende a ser um dos mais promissores dentro da área de comunicação se não ficar eternamente preso aos grandes e elitistas conglomerados de mídia.
Conversei com alguns profissionais do meio sobre o que seria fundamental para um ensino de jornalismo online de qualidade em uma universidade. Esperando respostas sucintas, fui surpreendido com respostas mais incrementadas e acompanhadas da mesma preocupação minha.
Paulo França, diretor da R2 Digital: “Sou jornalista há 13 anos. Fiz latu senso na PUC e estudei novas mídias digitais. Foi a interação entre TV e vídeo que me chamou a atenção para as novas tecnologias. Conhecer as ferramentas que a Internet oferece é fundamental. Ontem mesmo, tive a oportunidade de fazer o teste em um software, o Skype, para conversas de voz via Internet. Outro ponto importante é a curiosidade. Com a Oficina de VR [videorreportagem] na R2 acabamos avaliando os alunos e a disciplina com essas tecnologias digitais. O que ficou claro é que quem domina bem a ferramenta faz melhor pesquisa. Usa palavras-chave corretas. Vejo a Universidade como o espaço viável para construção do jornalismo online. Eu me formei na PUC e houve uma evolução enorme em todo sistema de comunicação da universidade. São os centros de pesquisa que irão oferecer espaço para essas ações. As iniciativas que forem se somando, acredito, terão uma maneira aplicável no dia-a-dia do profissional que estiver exercendo a profissão”.
Daniela Bertocchi, jornalista, diretora do USP Online e criadora do Intermezzo, weblog sobre jornalismo multimídia: “Penso que não há exatamente, neste cenário do ensino do ciberjornalismo brasileiro, um equilíbrio entre a formação técnica-profissional e a teórica. Ou se pende mais para um lado ou para o outro. Ou são cursos excessivamente técnicos, funcionam quase como um instituto politécnico até, ou são tão teóricos que se distanciam do jornal. Assim, fundamental seria obter um equilíbrio, sem que o jornalista perca de vista qual o papel dele na sociedade”.
Elisabete Barbosa, RP lusitana e mestranda em Jornalismo, co-autora do livro "Weblogs - Diário de Bordo": “Em relação aos assuntos, é fundamental uma disciplina de escrita não linear, outra que aborde a interação social na Internet e que explique como se processa a interação com o público, além de áreas como o webdesign, a usabilidade e alguns conceitos de programação Web. As restantes temáticas são comuns aos cursos de jornalismo. Quanto a formatos, considero indispensável um forte componente prático, em que os alunos sejam responsáveis por manter um webjornal que lhes permita compreender todas as potencialidades desta nova forma de jornalismo. É também fundamental que os estudantes sejam incentivados a navegar na Internet, a interagir com outros internautas, a utilizar ferramentas como os weblogs, o messenger, wikipedias etc. para que verdadeiramente possam compreender o funcionamento das redes sociais na Internet. Acho que este lado é fundamental para qualquer bom jornalista on-line”.
Olhando as três opiniões acima - a meu ver lúcidas - fica claro que um investimento em infra-estrutura, somado a aquisição de profissionais com uma real vivência profissional do cotidiano digital e um grau teórico elevado quanto ao assunto, já significa um bom caminho andado em direção a um ensino de qualidade. Utilizando-me do depoimento de França, de que "quem domina bem a ferramenta faz melhor pesquisa", vejo que a idéia é tranqüilamente aplicável aos educadores. Aquele que tem tal domínio - da teoria; da prática; de softwares e de navegação - provavelmente vai saber passar melhor os ensinamentos e mesmo abraçar de forma normal tecnologias seguintes.
O assunto dá pano para manga e espero voltar a abordá-lo em breve, com novos depoimentos em prol do ensino. Como de costume, queremos saber a sua opinião. O que você acha fundamental para um ensino de JOL de qualidade nas universidades? Utilize o formulário abaixo e deixe a sua opinião registrada! Até a próxima!
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14/7/2004
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Fábio Couto
[18/07/2004 - 17:10]
(Freelancer)
Gostaria de ressaltar que, independente da mídia, é a apuração, o conhecimento técnico, prático e de mundo, a boa redação e a credibilidade fazem o jornalismo online promissor. Quanto à necessidade de criação de cursos de "webjor", acho que são válidos à medida que existam coleguinhas interessados em se aprofundar no tema. As faculdades podem investir cada vez mais no assunto, nas grades oficiais, mas o papel da faculdade é mais generalista. É ensinar o básico da cadeira, estimular o aluno a conhecer mais e prtaicar a modalidade. Porém, nãol devemos acreditar que as universidades serão as únicas responsáveis pela formação. Acho que a questão é, até certo ponto, pessoal - cada um dev decidir sobre sua carreira. As universidades devem estar estruturadas para ministrar o conhecimento teórico equilibrado com o prático, e os cursos de bebjor devem complementar - até mesmo em razão das tecnologias usadas - o que foi ministrado nas faculdades.
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Rogério Kreidlow
[17/07/2004 - 18:39]
(Repórter-A NOTÍCIA - SC - JOINVILLE)
É complicado ensinar ou praticar algo que não se conhece direito e que tá só engatinhando. Primeiro, não há diferença entre Jornalismo e Webjornalismo. Jornalismo é a atividade de reportar a realidade, investigá-la, etc., e depois narrar tudo isto. O que muda é esse processo de narrar, que pode ser impresso, em vídeo, livro, etc. A internet nem acrescenta muito. O que ela faz é englobar tudo num único meio. Um vídeo na tevê ou na net não muda muito. Dizem que o texto deve ficar curto, mas isso também é bobagem. Posso pegar uma reportagem ótima de 5 páginas e adorar lê-la, e odiar os hard-news. O grande acréscimo da internet é, por fim, o da interatividade. Creio que a discussão ficará mais fácil com a chegada da TV digital. A tendência é migrar pro audiovisual, comando de voz, no que a web é precária. Depois, tem as adaptações da tecnologia. É idiota aprender a fazer webpage quando já se fala de aplicativos rich. Ano que vem esse "saber" estará defasado e o curso, pra que serviu?
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Fabio Leon Moreira
[16/07/2004 - 10:51]
(Freelancer)
Acho que além de observarmos com mais cautela e veemência o ensino do JOL nas universidades, seria interessante que elas ensinassem como manipular as diferentes mídias eletrônicas surgidas com o advento da internet. Hoje há fotologs, blogs, videologs. De que forma essas ferramentas poderiam ser melhor aproveitadas para o desenvolvimento profissional do estudante de webjornalismo e se constituir em uma concorreência de qualidade aos outros meios? Abraço Fabio Leon Moreira Jornalista responsável - Folha do Centro (Rio de Janeiro)
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Letícia Castro
[15/07/2004 - 16:40]
Parece incrível, mas quando fui monitora da disciplina de Jornalismo Online na faculdade, isso há cerca de 2 anos, no máximo, havia alunos que me olhavam com estranheza ao dizer que abrisse um arquivo qualquer ou o Explorer. Nem isso sabiam...
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Fabiano César Vinagreiro
[15/07/2004 - 14:14]
(Freelancer)
Tenho certeza que todo meio de comunicação tem seu valor perante a mídia, mas com a certeza de quem o dirige estár apto, preparado e informado do que vai opinar, o webjornalismo vem crescendo muito perante aos acessos de profissionais da área, porisso sua importância é fundamental também para os outros veículos de comunicação.
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Elizabeth Saad Corrêa
[15/07/2004 - 11:54]
(Professor-USP - Universidade de São Paulo - SP)
Caro Mário, muito oportuna sua iniciativa de discutir o ensino do JOL ou de competências e habilidades necessárias para os profissionais da informação. Também concordo que as unioversidades em nosso país já deveriam ter se posicionado com maior clareza sobre isso. O que vemos hoje é uma salada de proposições mal temperadas. Acabo de escrever um paper para um congresso sobre o tema, fruto de uma pequena pesquisa que fiz em algumas universidades daqui e do exterior. Também estou montando um grupo de discussão para breve, após a publicação do artigo.
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Lorena Tárcia
[15/07/2004 - 11:04]
(Professor-Universidade de Belo Horizonte - UNI-BH)
Realmente importante essa discussão Mário. E todas as opiniões, de profissionais, professores, alunos e interessados são fundamentais. Só gostaria de acrescentar a importância de ensinar também a lógica do pensamento e da linguagem multimídia. Como utilizar áudio, vídeo, imagem e texto sem que um interfira no outro ? Como você disse, o assunto "dá pano pra manga", não só aqui como no mundo inteiro. E só interagindo através de espaços como este e outros da própria net, para encontrarmos os melhores caminhos.
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Marco Rafael de Freitas Pires
[15/07/2004 - 10:26]
O Jornalismo online é o jornalismo da hora! Do minuto, do agora. Isso tudo aliado a multimídia. Um "saite" deve ser simples e facilitar o acesso aos leitores. Seja prático!
Em breve, www.agpr.com.br www.agenciaparanaense.com.br !
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Moacyr Victor Minerbo
[15/07/2004 - 05:15]
(Âncora / Apresentador TV / Apresentador Rádio-ALLTV - IG - SP)
Webjornalismo e Jornalismo é quase a mesma coisa.
Tudo depende da competência de cada um.
As diferenças são poucas.
Qualquer pulha percebe as diferenças. Cursos para isso?
Que tal um curso de Webrepórter para ensinar alguém a dizer tchau?
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