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Votação de projeto sobre acesso à rede é adiada

Da Redação

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado retirou de sua pauta a votação prevista para esta quarta-feira (08/10) do Projeto de Lei Substitutiva 124/06, que previa um controle maior do acesso à internet, exigindo identificação cadastral dos usuários junto aos provedores de acesso. O projeto recebeu críticas de diversos setores da sociedade, o que agilizou sua retirada da pauta.

Segundo o texto, provedores de acesso deveriam exigir nome, telefone, RG e CPF dos usuários que realizassem ações interativas na rede, como envio de e-mails, participação em chats e comunicadores, downloads de dados e outros serviços. Aos usuários que acessassem a rede sem essa identificação seria imposta uma pena de reclusão de dois a quatro anos, mesma punição que seria destinada aos provedores que permitissem acesso sem o controle. As empresas deveriam manter por três anos essas informações para facilitar a identificação de seus usuários em possíveis investigações de crimes virtuais, como roubo de senhas e clonagem de cartões.

O responsável pelo projeto, senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), afirmou que o texto não é um cerceamento de direitos, pois sua proposta não é atentar contra a liberdade de expressão ou contra a privacidade dos usuários de Internet, mas sim responsabilizar o uso da web. Segundo ele, o projeto é um conjunto de medidas destinado a atualizar a legislação sobre crimes virtuais no país.

O senador afirmou em artigo publicado no Jornal de Debates que a cobertura da mídia sobre o assunto é “simplificada e reducionista”. Azeredo frisou que não haverá controle de acessos e que a validação de dados deve exigir endereço, CPF ou RG. “Hoje, os provedores, em sua maioria, já guardam os dados por seis meses. Estamos ampliando esse prazo para três anos e tornando obrigatório o que é voluntário. Nos Estados Unidos, o FBI preconiza a manutenção dessas informações nos arquivos dos provedores por dez anos.” Segundo ele, sem a validação jamais será possível coibir crimes cibernéticos. “A internet não pode ser um manto de impunidade e irresponsabilidade  - e na esmagadora maioria dos casos, não é isso.”

Para muitos, a exigência dos dados não impediria os crimes já que usuários poderiam utilizar serviços internacionais como o Orkut ou o Hotmail. Porém, a Convenção de Cibercrimes de Budapeste formulou diversas regras que devem ser uniformizadas pelos países signatários. A convenção prevê acordos de colaboração e a tipificação de condutas criminais na web, foi assinada por 38 países europeus além de EUA, Japão e África do Sul.

"Houve uma desinformação, eu diria que uma certa pressa em informar. Realmente muita coisa que foi divulgada não é coerente com o que está no projeto. Muita gente ficou sem ler o texto e acabou se baseando em supostas interpretações. Por exemplo, falaram que a questão de quem baixar música, blog, chats e outras coisas teria que ser cadastrado também, mas isso não está no projeto. Pode ser feita uma interpretação, 'se você pede para identificar o usuário quando contrata um provedor, e para se fazer um blog você precisa de um provedor, então você está identificado', está bom, é uma interpretação, mas não tem isso no projeto", afirmou o senador ao Comunique-se.

Validação seria para proteger usuários
Entretanto o próprio senador lembra que o projeto permite que se identifique usuários dessas ferramenta, já que o objetivo é coibir crimes na rede. “Como é possível saber quem é o autor de um blog que pode afirmar qualquer inverdade contra quem quer que seja? Como coibir os diversos crimes cibernéticos. É disso que se trata. De estabelecer a responsabilidade sem a qual a liberdade é um biombo para muitos atentados até mesmo à própria liberdade,” argumentou o senador em seu artigo.

Após as críticas diversas, o senador afirmou que o debate sobre o tema não está fechado e que segue aberto a novas contribuições. Também disse que muitas críticas vieram de pessoas que não leram o texto e que medidas similares vêm sendo discutidas pelo mundo e suas propostas seguem recomendações da Convenção sobre o Cibercrime de 2001 do Conselho da Europa e a Diretiva 2006/04 do Parlamento Europeu.

Após críticas severas contra o projeto, o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), presidente da CCJ, retirou-o da pauta da Comissão, suspendendo sua votação por tempo indeterminado. Aldo Rebelo (PC do B-SP), o presidente da Câmara dos Deputados, se posicionou favoravelmente à “preservação do ambiente democrático, do ambiente de ampla liberdade que existe na internet”, mas também ressaltou a necessidade de fornecer meios para identificar quem abusa dessas liberdades. Azeredo afirmou que deseja que "projeto atenda a comunidade como um todo". Apesar disso, o senador ainda acredita que o PL seja aprovado esse ano.

Outro foco de resistência ao projeto veio do Ministério das Comunicações, na voz de Marcelo Bechara, consultor jurídico do Ministério. Durante um seminários sobre a universalização da internet na Câmara, Bechara apontou que as exigências previstas pelo texto seriam um obstáculo à inclusão digital buscada pelo governo. Além disso, ele apontou que criminosos poderiam simplesmente utilizar servidores em países que não possuam esse controle. “O que falta não é mudar a lei, é investir no aparelhamento das polícias”, disse.

Segundo turno
Organizações da sociedade civil também criticaram o texto. Defendendo a democratização do acesso e da atividade na rede, Thiago Tavares, presidente da ONG Safernet, declarou à Folha Online que "não se pode acabar com a rede, em nome da segurança, porque ela nasceu com a perspectiva de ser livre e trouxe conquistas muito grandes, como a liberdade de informação e de conexão".

Para o especialista em conteúdo online Bruno Rodrigues, o adiamento da votação do projeto foi essencial, mas ele não concorda com algumas opiniões. “A única coisa que me incomoda em qualquer coisa é essa visão romântica de que a internet é um lugar de total liberdade. Acho que tem argumentos muito mais sólidos como o de cercear uma mídia. De certa forma é um segundo turno.” Já Mario Cavalcanti, editor do site Jornalistas da Web, acredita que o principal motivo do projeto não funcionar é que ele não atende a seus objetivos. "Na minha opinião isso inibe de certa forma a liberdade de expressão e não resolve o principal". O jornalista argumenta os atuais governos não resolvem ainda crimes no mundo real. "O que dizer do mundo virtual".

Com a liberdade de expressão posta em xeque pela cobertura do projeto, Azeredo ainda insiste em contrapor os argumentos sobre o cerceamento da internet. "Essa questão do projeto é muito mais ampla do que apenas um cadastramento. Ele também não tem controle da Internet. Alguns chegaram a achar que seria possível rastrear quais foram os sites acessados pelo internauta, isso não tem no projeto", explica. O senador exemplifica que, segundo o projeto, um provedor precisa guardar o registro da ligação no momento em que é feita a conexão, o que já seria feito através do IP (Internet Protocol). Porém, atualmente os provedores só precisam guardar esses dados se desejarem e por um período menor de tempo, de seis meses a um ano. "Então estamos propondo, por sugestão da polícia federal, um prazo maior, de três anos".




8/11/2006
 
Lara Taveira Peixoto [14/11/2006 - 21:57]
(Estudante)


A internet foi criada como veículo de liberdade, como agora alguém quer fazer com isso seja mudado? Ja esta bem dificil trabalhar a inclusão digital no país. Se levarem esta lei para frente vai ficar ainda pior as pessoas terem acesso a internet.
 
 
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Pedro Diedrichs [09/11/2006 - 17:45]
(Obito-Obituário)


COMUNIQUE-SE - Em nome da moral e bom constumes, da idoneidade deste site, peço excluir comentários do senhor Seérgio Nocivovck, a exemplo deste, aquia abaixo: "Na mesma hora que digito em BH, seu pedro tá em Guanambi acreditando e vituperando contra o besteirol que escrevo a seu respeito e eu rolo de rir disso tudo. Bobeira pouca é bobagem, he he he!"... Além de tudo ainda rí, certamente das medidas moralizadores, necessárias e enérgicas do C-SE!
 
 
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Alberto Pereira Jr. [09/11/2006 - 14:54]
(Colunista / Comentarista / Crítico-AGORA SÃO PAULO - SP)


O senador Eduardo Azeredo conseguiu com que se esquecessem de sua ligação com o valerioduto quando foi governador do estado de Minas Gerais, mas o fez de maneira equivocada.

Ao propor projeto que obriga o internauta a se identificar quando acessa sites, faz transferências de arquivo, etc., ele foi contra o pressuposto da liberdade de circulação (de informações, vídeos, entre outros) que a rede tem por definição.

Vale lembrar que o senador ao formular tal projeto cedeu aos apelos do lobby dos banqueiros que querem acabar com as fraudes virtuais.

Não há dúvida que medidas devem ser tomadas para tornar a Internet um ambiente mais seguro, porém as atitudes definidas na lei em questão não impedem que hackers se utilzem de servidores e sites registrados em outros países.

O mais sensato seria um real estudo sobre as deficiências na segurança da Internet e a partir daí buscar as soluções, evitando que se caia em medidas que possam vir a coibir a liberdade de expressão.
 
 
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Marco Aurélio de Valois Correia [09/11/2006 - 12:36]
(Freelancer)


Nenhum sistema eletrônico está passível de infiltrações. Inclua-se nesse âmbito a Internet. Tal emenda tem muito de cerceamento, além do que, muitos sites e blogs e wikis, etc, só se tem acesso a eles após o preenchimento de nome completo do visitante, endereço, email, RG, CPF, idade, status de civil, afora um "Trial", (decisão de continuar ou não no site), mas que captura uma enormidade de informações do usuário, entretanto, na realidade, é uma forma disfarçada de checar dados sobre o internauta. Basta de tanta investigação em cima do cidadão comum. Se essa lei vir a ser aprovada mesmo poderá ser um caos no setor de vendas de microcomputadores no País.
 
 
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Paulo César****** [09/11/2006 - 12:04]

O tucanato inconformado com a derrota no mundo real, através do "insuspeito" Azeredo, vem - na cara dura - tentar cercear a liberdade de um veículo que foi um dos principais difusores de informações relevantes para a vitória espetacular de Lula. o que o senador deveria fazer seria explicar seu vampirismo.
 
 
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Luiz Oscar Matzenbacher [09/11/2006 - 09:07]
(Freelancer)


Pedofilia, apologia ao crime e racismo estão no mundo real e não apenas no virtual. Ser pedófilo ou racista na Internet é crime igual a ser racista dentro de um estádio de futebol ou ser pedófilo em uma boate de zona de meretrício de Manaus ou Diadema, por exemplo. Cadeia para eles, nos dois casos, só para os sem-colarinho-branco, não? Querem mesmo é usar esse artifício para impor mais uma censura.///PRIMEIRA EMENDA JÁ, NO BRASIL!
 
 
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Jonas S. Marcondes [09/11/2006 - 08:45]

Greve
 
 
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João Pequeno Bandeira de Mello [09/11/2006 - 01:34]
(Freelancer)


Adiada para o dia de São Nunca, se deus quiser
 
 
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Thomaz Magalhães [08/11/2006 - 23:00]
(Freelancer)


Bobagem esse comentário meu aí abaixo, caí em nota mal escrita do Terra. O caso se passou em setembro, e a puliça quebrou o sigilo da Folha porque ela havia ligado para um dos bandidos do PT. A Veja e o Estadão também ligaram, mas não apareceram os números, ou coisa parecida. A Folha Online explica bem.
 
 
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Thomaz Magalhães [08/11/2006 - 22:43]
(Freelancer)


Fichinha essa caso da internet, perto do que a agência Terra despachou há pouco: Polícia Federal pediu quebra de sigilo telefônico da sucursal da Folha em Brasília para investigar os 1,7 milhão dos petistas presos nos hotel.
 
 
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Talis Andrade [08/11/2006 - 22:39]

Essa Lei Azeredo nem Bush, especialista em censura, ousou apresentar. Isso é querer facilitar os serviços das polícias internacionais. É desconfiar que todo usuário é sanguessuga, vampiro, mensaleiro, freguês de Marcos Valério.
Disse bem Luiz Sergio Lindenberg Nacinovic: é querer que cada usuário, em nome da liberdade, se transforme em um hacker.
 
 
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Talis Andrade [08/11/2006 - 22:30]

A Lei Azeredo é de lascar. Sei que ele conhece o ramo. Trabalhou nele. Ele sabe o que estou falando. Azeredo, nem Marcos Valério aprova tal censura. Na rede, Na rede, Basta a varredura nos computadores. Aliás, quanto mais você fornece dados, mais varredura.
 
 
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Pedro Diedrichs [08/11/2006 - 20:27]
(Obito-Obituário)


Quem tem boas intenções no uso da Internet não está preocupado com estas ou aquelas novas regras. Os pedófilos sim!
 
 
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Luiz Sérgio Lindenberg Nacinovic [08/11/2006 - 20:17]
(Freelancer)


O Senador simplesmente quer digitalizar a re-invenção da roda e a da pólvora silenciosa. Os dados que o Senador assinala que os provedores só guardam por seis meses ficam com seus logs estocados em Bancos de Dados, principalmente os IPs das placas de rede. Conforme a instrução do IEEE(Institut of Electrical and Electronic Engineering), que padroniza o assunto, cada placa de rede tem um IP diferente exatamente para essa finalidade. Qualquer computador conectado é dotado dessa placa. Assim, para que dois logs(registros)? Outra coisa contra é o que o Mario Lima Cavalcanti levanta: o projeto inibe a liberdade de expressão e não resolve o problema criminal, estimulando ainda mais a alguém se tornar o que a imprensa especializada batizou de hacker.
 
 
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